Os paraenses seguem sem saber quando acontecerão as obras de restauro dos casarões na Ladeira do Castelo, entre a Feira do Açaí e o Museu de Arte Sacra, que devem ser realizadas pela Universidade Federal do Pará (UFPA) com recursos do Ministério da Cultura já aprovados pelo PAC Cidades Históricas. A expectativa é que os imóveis, que pertencem à Arquidiocese de Belém, abriguem projetos da universidade. Mas o atraso no início das obras se deve à demora da desocupação dos espaços, hoje na mão de posseiros.
“A UFPA já repassou recursos para a Arquidiocese indenizar os moradores e, até onde sabemos, o Ministério Público estaria mediando isto. A informação que temos é que dois deles já haviam sido indenizados e faltava apenas um morador ser retirado. Da nossa parte, a universidade aguarda que os imóveis sejam desocupados para começar as obras de restauro”, diz o arquiteto Flávio Nassar, coordenador do Fórum Landi e responsável pelo projeto como representante da UFPA.
Flávio explica que os casarões terão destinos diferentes. Assim que forem entregues à UFPA, a instituição iniciará o processo de licitação para a obra. “O casarão próximo à Feira do Açaí deverá funcionar como um albergue para receber alunos e professores de cooperação internacional. Já o outro, mais próximo ao complexo Feliz Lusitânia, abrigará o Memorial do Livro da UFPA”, explica o arquiteto.
Para Flávio, é de fundamental importância que as obras sejam feitas para completar a composição paisagística do lugar, que já possui outros patrimônios preservados. “Após o restauro, o Memorial do Livro da UFPA cumprirá um papel de resgate de uma função que este lugar já teve no século 18. Um dia, este casarão possivelmente foi o local de funcionamento da maior biblioteca que havia no Grão Pará naquela época”, argumenta.
O processo de cessão está em andamento há bastante tempo, diz Flávio. “O que dificultou foi o problema das famílias que ocupavam ilegalmente os imóveis. Nós não queríamos tratar desumanamente essas pessoas e por isso foi estipulada uma indenização e depois se partiu para um processo árduo de negociação, com a assistência do Ministério Público. Foram mais de três anos apenas nesta etapa”, esclarece.
O advogado da Arquidiocese de Belém, João Lobato, confirma as informações de Flávio Nassar e diz que é de total interesse da instituição religiosa que a desocupação seja feita o quanto antes. “São cinco casarões geminados, que eram ocupados por posseiros a título precário, e que estavam utilizando esses imóveis para fins econômicos, sem repassar recurso nenhum ao poder público. É de total interesse da Arquidiocese que esse projeto esteja concluído para a comemoração dos 400 anos de Belém, já que sabemos o valor histórico desses imóveis e que são bens tombados”, explica o advogado.
CAPELA POMBO
Além desses pontos, também está prevista a restauração da Capela Pombo, que foi recentemente doada para a universidade, para que possa ser restaurada em um processo minucioso e acadêmico da pequena construção, atribuída a Antonio Landi. A intenção é conhecer mais a fundo o trabalho do arquiteto bolonhês.
“Esta capela é do período do Landi, no século 18, e é a única capela particular urbana que temos em Belém. Antigamente a elite tinha suas capelas particulares, e outras destas devem ter existido na cidade, mas a Pombo é a única que remanesceu, por isso a importância do restauro”, explica o arquiteto.
Flávio Nassar se orgulha do projeto de restauro da capela, já que é resultado do aprofundamento do conhecimento sobre Landi a partir do próprio Fórum. “Este sem dúvida será um marco na história do restauro, principalmente na história de Landi, que por muito tempo foi confundido e desconhecido por outros estados do país, que não sabiam muito bem suas características. Este é um momento precioso para se saber de fato as características dele e aprofundar esse conhecimento, uma obrigação dos paraenses”, acredita.
Atualmente, o projeto de restauro da capela espera aprovação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Prefeitura de Belém, já que é necessária a transferência da propriedade da capela para a universidade.
“Imaginamos que até o final do ano este processo deva ser concluído para que possamos licitar a restauração para o início do ano que vem. Este projeto será realizado pela UFPA e pelo Fórum Landi, com supervisão da maior especialista na obra de Landi, a portuguesa Izabel Mendonça, que escreveu o maior tratado que temos sobre ele. Após a restauração, o espaço continuará funcionando como capela, mas também terá um anexo construído ao lado para a instalação de uma escola de canto gregoriano pela Faculdade Música da UFPA”, adianta.
(Diário do Pará)
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