O que aconteceria se a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, a mesma usada em todas as romarias do tradicional Círio, fosse furtada por uma travesti e acabasse dentro do Cine Ópera, um cinema dedicado à exibição de filmes adultos, ao lado da Basílica de Nazaré, frequentado por transgêneros, garotos de programa e homens da classe média?
Esse é o enredo do espetáculo “Ópera Profano”, dramaturgia de Carlos Correia Santos vencedora de prêmios dentro e fora do Estado. A peça ganha nova montagem, agora assinada pela Companhia Teatral Nós Outros, com direção de Hudson Andrade.
“A montagem desse texto do Carlos foi um desafio que abracei de forma intensa. A dramaturgia propõe um mergulho muito inusitado, delicado e humanista num universo que a sociedade insiste em deixar à margem. Num tempo em que se tem discutido cada vez mais a homofobia, vamos falar também um pouco do direito que o universo LGBT possui de ter sua fé, seus cultos religiosos. Por que Maria não pode estar onde travestis e garotos de programa estão?”, questiona.
“Estou muito feliz com a visão do Hudson para o meu texto. A direção dele, além de respeitar o texto, manteve a essência dark que ele tem. Conseguimos produzir o que eu sempre quis, que é um espetáculo com tons de ópera rock”, diz Correia, que também estará em cena, cantando e tocando as músicas que criou para a peça.
A estreia acontece propositadamente em plena quadra nazarena. O publico poderá conferir o espetáculo de 14 a 18 de outubro (terça a sábado), sempre às 20h, no Porão Cultural da Unipop.
Serviço: “Ópera Profano”, montagem da Companhia Teatral Nós Outros, será encenada de 14 a 18 de outubro, às 20h, no Porão Cultural da Unipop (Senador Lemos, 557, entre Dom Pedro I e Dom Romualdo de Seixas). Ingressos: R$ 20,00 com meia para estudantes.
(DOL)
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