O vazio, a solidão, o silêncio e a vastidão de campos únicos no Estado. No meio de tudo, ou do nada, o vaqueiro, homem que resiste às mudanças do tempo conservando uma atividade tão antiga quanto as primeiras chácaras do lugar. Na última semana, o fotógrafo e editor do DIÁRIO Octavio Cardoso foi contemplado, em primeiro lugar, no 14º Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, aberto através de edital da Fundação Nacional das Artes (Funarte). Com o projeto “Minha Ilha – Campos Abertos do Marajó”, Octavio documentará a poesia e a beleza das fazendas da maior ilha costeira fluviomarinha do mundo.
O edital da Funarte contemplou 18 projetos, divididos em três áreas. O idealizador de cada projeto receberá um valor de R$ 53 mil para executá-lo. Octavio foi selecionado dentro da área “documentação fotográfica do Brasil”. A partir do trabalho em campo, será realizada uma grande exposição, em Belém. Além dela, haverá duas exposições menores em uma escola no bairro do Paracuri, em Icoaraci, e em uma escola de Cachoeira do Arari, no Marajó. O projeto socioeducativo será realizado em parceria com a educadora Janice Lima. Haverá, ainda, o lançamento de um site que conterá informações sobre todo o processo.
A relação de Octavio com o Marajó é antiga e remete às primeiras fotografias do artista. “Eu fotografo o Marajó, de forma descontinuada e aleatória, desde 1984, em viagens esporádicas que faço. Então, com esse projeto, eu vou fazer um trabalho com foco e pretendo fechar um ciclo”, comenta. Para o fotógrafo, a ilha conserva características particulares que a tornam única. “O terreno fica seis meses submerso, no período de chuvas, e seis meses seco, no período de seca. Além disso, os vaqueiros conservam hábitos muito rudimentares que, aos poucos, com o passar do tempo, vão se perdendo e se transformando”,fala.

Para Octavio, o diálogo do projeto documental com seu trabalho autoral será inevitável. “Eu me interesso muito pelo silêncio, pelo vazio, pela solidão. Procuro organizar a realidade de forma subjetiva para que as coisas tenham mais equilíbrio. Para mim, o Marajó tem todos os elementos que me permitem criar imagens assim, como a natureza e a vastidão. Então é uma linha muito tênue que separa o trabalho documental do trabalho artístico”, diz.
Na opinião do artista, a ilha do Marajó é um grande espetáculo que merece mais atenção. “Eu imagino que os impactos causados pelo gado tenham transformado o cenário, mas a influência do homem é bem maior. É uma microrregião do Pará diferente de qualquer outra. A relação do vaqueiro com os animais, com o ambiente e com a própria vida, torna tudo fantástico”, completa.
(Diário do Pará)
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