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Santa e sexualidade no mesmo palco

O Cine Ópera, inaugurado em 1961, resistiu às décadas e à pressão do mercado como um reduto voltado exclusivamente à exibição de filmes pornográficos. A metros da Basílica Santuário, no espetáculo “Ópera Profano”, que estreia hoje, o espaço recebe a image

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O Cine Ópera, inaugurado em 1961, resistiu às décadas e à pressão do mercado como um reduto voltado exclusivamente à exibição de filmes pornográficos. A metros da Basílica Santuário, no espetáculo “Ópera Profano”, que estreia hoje, o espaço recebe a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré. A travesti Tota (Jadylson de Araújo) é responsável pelo mote da trama. O objetivo é aproximar a imagem da Virgem Maria de sua colega travesti Baby (Nilton Cézar), que luta contra as complicações decorrentes do HIV. A dramaturgia de Carlos Correia Santos, vencedora de prêmios dentro e fora do Estado, é uma montagem da Companhia Teatral Nós Outros, sob direção de Hudson Andrade, e a peça segue em cartaz no Porão Cultural da Unipop, até sábado, sempre às 20 horas.

O Cine Ópera é popularmente conhecido pelo público específico que recebe. Transgêneros, gays, garotos de programa, curiosos e homossexuais não assumidos se revezam em suas poltronas. O Ópera Profano, uma montagem assumidamente underground, discute temas atuais, como os direitos da população LGBT, a homofobia, a discriminação e o preconceito contra os portadores do vírus HIV. A estreia do espetáculo, em plena Quadra Nazarena, propõe uma reflexão a respeito do direito ao exercício da fé de pessoas que, por falta de opção, vivem à margem da sociedade.

Carlos Correia Santos explica que o processo de montagem da peça durou oito meses. O período possibilitou a aproximação do público com temas-chave tratados no texto. “Nós realizamos as ‘Terças Profanas’, na Casa da Cultura Digital. Nas palestras educativas, abertas ao público, além dos atores compreenderem e entenderem mais o universo que eles estavam entrando, as pessoas discutiam temas como o preconceito e a marginalização. Nós tivemos respostas e uma participação muito positiva”, fala.

Além das “Terças Profanas”, cada ator escolheu uma diva e produziu um dossiê e uma pesquisa sobre ela, apresentada no show “Divas Profanas”.

Para o autor do “Ópera Profano”, a polêmica que o espetáculo irá provocar é essencial para que se aprofundem reflexões sobre os direitos dos cidadãos representados pelos personagens.

“Na concepção original, ‘te-atrium’ é o lugar de ver e fazer ver. Nossa sociedade vive um limiar, que é a criminalização ou não da homofobia. As pessoas precisam entender que, independente de gênero ou opção sexual, todos têm os mesmos direitos, inclusive de expressar sua fé. Então, nós assumimos a polêmica e a provocação consciente para que o público se confronte com essa realidade”, explica Correia.

Além de autor do texto, ele é compositor das músicas que têm o peso do rock e do pop e que darão ritmo à montagem. O autor, inclusive, cantará ao vivo durante o espetáculo.

(Diário do Pará)

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