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Pesquisadora da USP fala de Círio e urbanidade

Em Belém, a fé também movimenta o turismo. Todos os anos, eventos sacros e profanos no entorno do Círio movimentam a cidade. O Auto Círio, por exemplo, reúne cerca de 40 mil espectadores. As atrações vão de igrejas centenárias a museus de arte sacra, além

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Em Belém, a fé também movimenta o turismo. Todos os anos, eventos sacros e profanos no entorno do Círio movimentam a cidade. O Auto Círio, por exemplo, reúne cerca de 40 mil espectadores. As atrações vão de igrejas centenárias a museus de arte sacra, além de romarias e celebrações de fé que animam os fiéis paraenses e de todas as partes do Brasil e do mundo.

Esse é o grande diferencial do turismo religioso para os outros segmentos: sua motivação fundamental é a fé. Mas outros fatores podem estar agregados e um olhar sobre eles pode nos ajudar a manter a cidade atrativa o ano todo, como explica a turismóloga Débora Serra, que apresentou recentemente sua pesquisa “Turistificação do Espaço em Santuários e Eventos Católicos: uma análise sobre o Círio de Nazaré em Belém-PA”.

“A maioria dos visitantes no Círio vem pela motivação religiosa associada à visita aos parentes e amigos, negócios, e também lazer e cultura”, detalha Débora. Por isso, aproveitar-se deste momento para reforçar espaços, produtos e eventos que atraiam esta demanda pode ser a melhor estratégia para Belém.

A palavra-chave então é “turistificação”. O conceito vem sendo estudado por alguns autores e é um processo em que diversos agentes – sejam turistas, empresários, poder público ou moradores – se apropriam de espaços para utilizarem-no com fins turísticos. “Assim, além da procissão de domingo, eventos como o Auto, o Arrastão do Círio e a Festa da Chiquita têm maior evidência em relação a participação de turistas”, completa Débora.

METAGEOGRAFIA

O Círio também pode dar instrumentos para desvendar os processos de urbanização, como as pessoas se apropriam do espaço, se movem nele e dividem o tempo.

“Para além das tradições há a reunião das pessoas em torno dele e seus significados, que se realiza criando um espaço, e usando a cidade através da construção de uma identidade comum que se inscreve no espaço da vida - que é um elemento constitutivo da identidade social. Assim, há uma compreensão do Círio como a manifestação da história do lugar e das pessoas deste lugar. E ainda, diante da crise econômica, o Círio também pode se tornar um negócio que vende o espaço da cidade ativando a economia local, ou seja, mesmo para os de fora que participam das atividades sem mesmo compreender seus significados profundos”, considera da pesquisadora Ana Fani Alessandri Carlos, do Programa de Pós-graduação em Geografia Humana da Universidade de São Paulo (USP), que ministra hoje em Belém a palestra “Metageografia - A Arte de Conhecer a Partir da Geografia”.

Segundo ela, a Metageografia é uma abordagem teórica “que traz o desafio de pensar o espaço como uma produção da sociedade”, detalha a pesquisadora da USP.

(Diário do Pará)

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