George Wellington Costa Santos, 39 anos, partiu deixando um susto, lamentos e a cena artística e cultural de Belém com um pouco menos de luz. No início da noite da última terça-feira, no final do expediente, ele foi encontrado morto no fosso do palco do Teatro Margarida Schivasappa, localizado na Fundação Cultural Tancredo Neves (Centur), no bairro de Nazaré. A causa da morte do assistente cultural de Iluminação cênica ainda é desconhecida. A Polícia Civil investiga o caso e um laudo técnico deve ser emitido pelo Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves” dentro de 15 a 20 dias.
O falecimento do servidor causou comoção nas redes sociais e diversas mensagens de apoio surgiram em sua homenagem. O corpo de George, que possivelmente realizava atividades de rotina no teatro, foi encontrado sem Equipamento de Proteção Individual (EPI). Às vésperas de estrear o musical “Hércules”, espetáculo em que a iluminação estava sob sua responsabilidade, ele estava feliz, pois pela primeira vez, desde 2008, havia sido lotado como Gerente Interino.
De acordo com a cantora Lucinnha Bastos, que responde pela diretoria de Interação Cultural do Centur, não havia espetáculo programado para a terça-feira e ninguém sabe o que ele estava fazendo no teatro. “Como gerente interino, ele tinha autonomia para fazer o que quisesse no Schivasappa. Se ele estivesse subordinado a alguém, seria mais fácil para nós descobrirmos porque estava ali”, explica.
Lucinha descreve George como um profissional preocupado com a segurança pessoal dos técnicos e responsável, e diz que ele participou do processo de reestruturação do teatro, finalizado em junho, inclusive com sugestões sobre a aquisição de equipamentos de segurança.
O ator e diretor Paulo Fonseca, o Paulão, conhecia George há pelo menos dez anos, e trabalhou em colaboração no último trabalho do iluminador. O espetáculo “Hércules”, que estreia hoje, começará a temporada desfalcado. “Pra mim foi um choque muito grande e ainda estou me recuperando do baque. Nós tínhamos uma parceria antiga e a morte do George foi um duplo choque. Primeiro porque ele era meu amigo, parceiro de trabalho. Depois porque estamos prestes a estrear e, pra ser sincero, não sei exatamente como vou fazer pra contornar isso, já que toda luz da peça estava na cabeça dele”, comenta o diretor de “Hércules”.
Segundo Paulão, George era um profissional aplicado, disposto, que fazia questão de participar de todos os processos da montagem. “Era uma pessoa muito calma que você não via de mal humor. Pra ele, não tinha problema que não pudesse ser resolvido. Eu vejo essa morte súbita dele como um chamado de Deus, pra mim não tem outra explicação”, fala. De acordo com o diretor, toda a temporada de “Hércules” será dedicada à memória e ao trabalho de George.
A morte do iluminador provocou comoção nas redes sociais e vários perfis no Facebook postaram mensagens de luto e apoio à família do servidor. O produtor cultural Reginaldo Santos Conceição, que realizou diversos trabalhos com George, comenta que a perda do iluminador representa uma tristeza profunda para a classe artística. “Nós que trabalhamos com produção cultural em Belém fazemos isso por amor, formamos quase que uma irmandade. Nós somos muito próximos e essa morte será sentida por todos, com certeza”, comenta.
Reginaldo classifica George como um “profissional classe A” e diz que o palco do Schivasappa perdeu um pouco de sua mágica. “O Schivasappa oferece a estrutura necessária para que grandes produções sejam executadas com qualidade. É uma casa pra gente. Perder um profissional como o George é lamentável porque são poucos que conseguem iluminar com tanta qualidade quanto ele fazia”, declara.
(Diário do Pará)
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