As cores e os traços das pinturas desbravam um país lúdico, multifacetado, onde caravelas são do tamanho de peixes e o Congresso Nacional é lilás, amarelo e laranja. O autor das pinturas é descrito pelo curador Enock Sacramento como “uma pessoa com uma sabedoria popular que cativava a todos, simpática, simples, que andava de chinelo em casa”.
Antônio Batista de Sousa, mais conhecido como Antônio Poteiro, faleceu em 2010 e foi um importante escultor e ceramista. No entanto, o artista é mais conhecido pelo seu trabalho como pintor que, apesar da originalidade impossibilitar uma classificação fechada, pode ser descrito como arte naïf ou Arte Primitiva Moderna. Amanhã, o Museu de Arte do CCBEU abre a exposição “O Brasil de Poteiro”. Uma oportunidade única para o público da capital conhecer de perto 22 telas que nos levam por um passeio diferente pela história do Brasil.
“O Poteiro é um dos artistas mais criativos que o Brasil já teve. Isso, por si só, já justificaria a exposição. Ela é resultado de um trabalho produzido em comemoração aos 500 anos de descoberta do país e só passou por duas cidades até agora, Brasília e Goiânia”, explica Enock Sacramento. De acordo com o curador, o Brasil que o pintor retratou é fruto de um trabalho desenvolvido com muito esforço e pesquisa. “Apesar de ele ser de origem portuguesa, desenvolveu pinturas únicas, com muita atenção e dedicação”, fala.
Sacramento diz que Poteiro possuía uma criatividade impressionante, fato que justifica suas telas serem reconhecidas tanto pelo público, quanto pela crítica. “O Poteiro, que recebeu esse apelido pelo trabalho como ceramista, foi descoberto já adulto por um pintor de Goiânia chamado Siron Franco. Ele (Poteiro) não se preocupava em fazer algo considerado erudito e priorizava os traços mais primitivos, mas os críticos admiram demais o trabalho dele”, comenta. A coleção que compõe a exposição, de propriedade do Instituto Antônio Poteiro, é composta por telas de médios e grandes formatos.
Américo Poteiro, filho de Antônio Poteiro, estará em Belém para a abertura da exposição. Seguindo os passos do pai, Américo enveredou para a escultura e para a pintura. “Eu desenvolvi a minha linguagem e o meu estilo. O meu pai foi um grande incentivo para eu começar, mas é o meu mundo”, explica. O artista, que estará pela primeira vez em Belém, está satisfeito por ver a obra do pai sendo descoberta por cada vez mais gente. “Foi um trabalho que meu pai levou dois anos e meio para terminar, com muito esforço, e eu fiquei muito feliz quando surgiu o interesse de levá-lo para Belém. Dizem que é uma cidade muito bonita e eu estou curioso para conhecer”, completa.
(Diário do Pará)
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