Inaugurado em 1979, o Teatro Experimental Waldemar Henrique, localizado na Praça da República, foi criado para dar vazão ao fluxo criativo dos grupos de teatro da capital no final da década de 1970. O prédio em estilo art nouveau, tombado pelo patrimônio histórico, movimenta a cena cultural da cidade há 35 anos. De acordo com o calendário, a próxima peça agendada, na terça-feira, 28, seria o monólogo “Oú on va, papa? Aonde vamos, papai?”, uma realização da Aliança Francesa de Belém. No entanto, desde a última quarta-feira, 22, os nove técnicos do teatro, ligado à Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado. A principal reinvindicação é a aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e treinamento adequado por técnicos de segurança do trabalho. Os servidores afirmam que não se sentem seguros trabalhando nas condições atuais.
A paralisação dos técnicos do Waldemar Henrique marca uma semana da morte do assistente cultural de iluminação cênica George Wellington Costa Santos, 39 anos. Ele faleceu no interior do Teatro Margarida Schivasappa, também de responsabilidade da Fcptn, em circunstâncias que ainda estão sendo investigadas. George, que possivelmente realizava atividades de rotina, foi encontrado morto no fosso do teatro, sem EPI. “A própria gerência da Fundação reconhece que estamos há 27 anos sem EPIs adequados. Nós estamos conversando e nossa paralisação foi acatada, os pontos já estão sendo vistos. Mas enquanto os problemas não forem solucionados, vamos continuar paralisados”, afirma Marckson Davi de Moraes, assistente cultural do Teatro Waldemar Henrique.
“A nossa atividade diária exige que a gente suba, desça escada, lide com fiação elétrica, carregue peso para cima e para baixo... Nós precisamos de luvas, botas e capacetes para nos proteger. Não temos nem lanternas pra nos guiar durante as montagens e queremos treinamentos para resguardar nossa segurança”, comenta Marckson. Segundo o assistente cultural, os servidores também demandam vistoria no prédio pelo Corpo de Bombeiros. “É um prédio antigo com uma fiação que precisa ser revista. É perigoso para gente e para o público, você imagina se na hora do espetáculo acontecer um acidente. É algo muito sério”, alerta.
Marckson afirma que o diálogo com a gerência está caminhando bem e que ela está sendo compreensiva com os servidores. No entanto, o assistente cultural descarta a chance de a paralisação encerrar sem que todas as demandas sejam atendidas. “Em relação à aquisição dos EPIs, eu sei que é um processo que já está acontecendo e que os outros pontos, como os treinamentos, exigem tempo, mas nós decidimos que não vamos mais nos expor. Então, a paralisação segue por tempo indeterminado”, completa.
Em nota, a Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves garante que a atual gestão foi a primeira, em quase 30 anos, a realizar licitação para compra de EPIs para os servidores dos teatros. “Como o Teatro Margarida Schivasappa esteve fechado desde 2012 até junho desse ano para reforma, a licitação para a compra dos EPIs foi realizada em 2013. Porém, o material que chegou estava fora das especificações e foi devolvido por decisão dos próprios servidores. Parte da nova remessa chegou no último dia 15, só que em quantidade insuficiente para abranger os servidores do teatro Waldemar Henrique”, explica a assessoria de imprensa.
Ainda de acordo com a nota, a direção da Fundação decidiu suspender temporariamente as atividades do teatro Waldemar Henrique, até que a situação seja regularizada e todos os servidores estejam com suas respectivas EPIs. “Recebemos dos fornecedores a previsão de que os equipamentos destinados ao teatro serão entregues ainda na próxima semana”, informa. Os eventos e espetáculos que estavam agendados para o período em que o Waldemar Henrique estiver fechado serão remarcados assim que o mesmo voltar a funcionar, de acordo com a agenda já estabelecida para os meses de outubro e novembro.
(Diário do Pará)
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