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Exposição revela jornada pessoal em viagem à Índia

O menor caminho entre dois pontos é uma reta. Mas o menor caminho não importa. Mais importante do que chegar a um determinado ponto, é o espaço que se percorre até ele. “O objetivo é a trajetória em si”, ela comenta. Foi assim, desbravando passagens inter

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O menor caminho entre dois pontos é uma reta. Mas o menor caminho não importa. Mais importante do que chegar a um determinado ponto, é o espaço que se percorre até ele. “O objetivo é a trajetória em si”, ela comenta. Foi assim, desbravando passagens interiores e exteriores, que a fotógrafa paraense Renata Aguiar viajou pelo interior da Índia. Nas fotos de Renata, um país longe da opulência e dos contrastes de grandes centros urbanos, como a capital Nova Delhi. Renata passou dez dias em Ladakh, no extremo norte indiano, entre as duas maiores cordilheiras do planeta, a do Himalaia e a do Karakoram. É uma das regiões habitadas mais altas do mundo. A gente que vive nesse lugar inóspito, onde a natureza se impõe e dita as regras, pode ser vista em uma série de 16 fotografias coloridas. A exposição “A Jornada é o Destino” abre hoje, às 19h, no Composição Arte e Bar. Mais que um objetivo final, um porto para uma viagem que não termina.

Renata, formada em Artes Visuais e mestre pela UFPA, passou sete meses na Índia através da ONG Aiesec e ministrou aulas na Delhi College of Photography. No tempo livre, colocava a mochila nas costas e, sozinha, por conta própria, partia rumo às regiões menos conhecidas do segundo país mais populoso do mundo, com cerca de 1,2 bilhões de habitantes. Ladakh é uma das áreas mais isoladas do planeta, acessível apenas durante três meses no ano. Localizado no Estado de Jammu e Caxemira, entre o Paquistão e a China, é um lugar milenar que já foi palco de guerras e por onde passava a histórica rota comercial da seda. O budismo é a base filosófica e religiosa dos habitantes, que recebem influência direta do Tibet.

“Foi uma viagem muito marcante pra mim. Eu estava sozinha em um lugar em que não conhecia absolutamente nada, nem mesmo a língua falada. Era um deserto frio diferente de qualquer coisa que nós temos aqui. Uma paisagem linda que proporcionava estímulos a todos os meus sentidos, o tempo todo”, conta Renata. A fotógrafa se diz privilegiada por ter vivido a experiência da viagem e define o percurso como um encontro com ela mesma. “Como a maioria das pessoas são budistas, elas cultivam um desapego muito grande. É diferente do hinduísmo, que ressalta muito a joia, o colorido, o ouro. Em muitas comunidades, as pessoas só comem aquilo que plantam. Você percebe essa simplicidade nas fotos”, comenta.

Renata diz que o modo de se relacionar com os personagens foi variado e que isso possibilitou dar profundidade aos registros fotográficos. “Teve um senhor que me acompanhou no ônibus até eu chegar a uma vila, que só tinha duas ruas. Ele vestia uma camisa de malha cinza, um gorro cinza e uma jaqueta cinza, mais escura. Eu estava fotografando tudo e, de repente, ele tocou no meu ombro e me olhou como quem diz: ‘E eu? Eu não sou interessante também?’. Muitas pessoas pedem para que a gente faça fotos delas, acho que é uma forma de transcender aquele lugar, que é esteticamente interessante, mas também é muito pobre e escasso comparado ao modo de vida do ocidente”, observa.

Christopher McCandless, inspirado pelo escritor beatnik Jack Kerouac (1922 – 1969), abandonou o estilo de vida padrão norte-americano para se aventurar solitariamente, sem dinheiro, em uma viagem em direção à vastidão do Alasca. A história rendeu um livro, adaptado para o cinema como o aclamado “Na Natureza Selvagem” (2007), do ator e diretor Sean Penn. Em um dos insights mais marcantes, o personagem diz: “O núcleo do espírito do homem vem de novas experiências”. Renata avaliza: “A viagem precisa ser muito mais uma questão de descobrir seus rumos do que ir pra um rumo pré-definido. É preciso seguir um ponto de errância”, completa.

(Diário do Pará)

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