O Museu Paraense Emílio Goeldi , apresenta, em seu principal pavilhão expositivo, no prédio da Rocinha, uma exposição sobre a cultura dos Ka’apor. Desde sexta-feira, lá está à disposição dos visitantes um rico acervo da cultura material Ka’apor, como objetos de arte plumária, cestaria, flechas, adornos de miçangas e sementes, além de indumentárias masculinas e femininas.
A mostra também contará com Fotografias do acervo do Museu do Índio e vídeos de registro da festa do Caium, com imagens capturadas na década de 1960 e em 2007 nas aldeias Ka’apor, localizadas na Terra Indígena do Alto Turiaçu, que fica ao norte do estado do Maranhão. Segundo informações do o Instituto Socioambiental, atualmente existem cerca de mil indígenas da etnia vivendo na TI.
A antropóloga do Museu Goeldi, Claudia López, curadora da exposição e estudiosa das dinâmicas sociais e culturais da etnia Ka’apor, afirma que “apresentar as tradições Ka’apor é uma maneira de mostrar que o povo está vivo, que resiste, que tem uma cultura viva e que eles estão defendendo seu território”.
A curadoria da exposição também conta com Valdemar Ka’apor, Teon Ka’apor e Elizete Tembé, além de Laura van Broekhoven e Mariana Françozo, do Museu Nacional de Etnologia, localizado na Holanda.
Tradição do povo Ka’apor, a festa do Cauim geralmente acontece durante a lua cheia no mês de outubro e marca um processo de construção de identidade e formação das pessoas desta comunidade.
O Cauim é uma bebida fermentada feita a partir do suco de caju e é compartilhado por todos da aldeia durante os rituais de passagem. Quem prepara o Cauim precisa obedecer a algumas exigências durante os dias de elaboração da bebida, como evitar contato sexual, além de não poder comer e beber.
Os homens Ka’apor têm participação importante na elaboração da festa. São eles quem constroem a casa onde os festejos acontecem, que inicia com a retirada de madeira da floresta. Também são eles os responsáveis pela confecção da indumentária usada no ritual, como os objetos plumários. Já as mulheres dedicam-se à produção das redes e tipoias.
O prédio que abriga a mostra passa por manutenção até a quarta-feira, dia 29, mas reabre para visitação pública no dia 30. A exposição Ka’apor segue até 28 de setembro de 2015.
(Diário do Pará)
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