Nas redes sociais, entre os amigos mais próximos, o sentimento era de comoção pela partida de Luiz Lima Barreiros, escritor paraense conhecido por ser um dos fundadores da Associação Paraense de Escritores.
O artista foi encontrado morto em sua casa no bairro da Campina, em Belém, na última quinta-feira (06) após alguns dias desaparecido. Ele estava caído no banheiro e foi cogitado a hipótese de estar morto desde a segunda-feira (03).
Para Elias Pinto, jornalista literário e colunista do DIÁRIO DO PARÁ, a perda do escritor e amigo será não só para os artistas, mas para a cena cultural paraense.
“Ele era um agitador, um militante da cultura e um dos que lutavam pela causa da literatura paraense. Lima sabia e queria que os escritores tivessem seu reconhecimento”, explica o jornalista.
O jornalista Carlos Mendes fez um texto em homenagem ao amigo e publicou em uma rede social. Ele lembra do grupo “Pessoal da Escadinha do Teatro da Paz”, local que ele e Luiz freqüentavam juntamente com poetas, escritores, candidatos a cineastas, atores e diretores do teatro paraense, cantores e jornalistas.
Algo que Carlos definiu como “uma confraria de anjos e malditos, mais para malditos do que para anjos”.
Segundo o jornalista, o grupo era formado por grandes nomes da cena artística paraense, como o poeta Rui Barata, os teatrólogos Cláudio Barradas e Luiz Otávio Barata, os cinemaníacos e subversivos literários Raul Tadeu da Ponte e Souza, José Otávio Pinto e o compositor Paulo André Barata, na companhia do pai.
A comoção dos artistas contemporâneos era grande e regada de carinho pelo escritor, mas pouco se falou sobre sua obra.
“A notoriedade de Lima se dá pela sua atuação frente a associação, na busca de reconhecimento para a categoria. Ele morre como outros grandes escritores, Aroldo Maranhão, Marx Martins e até Dalcídio Jurandir, inéditos em vida, ou seja, sem serem conhecidos ou terem deixado obras amplamente divulgadas, o que é lamentável, mas é uma realidade na literatura paraense”, comenta Elias.
O jornalista lembrou ainda o fato das obras de Lima terem pouco espaço e meios de circulação, o que configura como um alerta para o que também acontece com outros escritores.
“O que temos em nossa literatura é uma dificuldade em publicar. Faltam editoras e quando publicados, vivemos de uma exigüidade da tiragem, mesmo sabendo que temos escritores importantes e uma das Feiras do Livro mais importantes do país”, argumenta.
Elias Pinto completou dizendo que a literatura paraense não é tão incentivada quanto a música e que não existe debate quanto as leis de incentivo, aos estilos e obras dos escritores, e a literatura paraense vive em uma indigência editorial.
“Lima é parte de um grupo que está morrendo deixando órfão o painel literário, deixando carente a história da literatura paraense mais uma vez”, finaliza o jornalista.
Luiz Lima Barreiros foi encontrado morto em sua casa no bairro da Campina, na última quinta-feira.
(Diário do Pará)
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