Poetas e familiares de Manoel Barros, que morreu nesta quinta-feira (13), comentaram a morte do poeta mato-grossense. Ele tinha 97 anos e estava internado em um hospital de Campo Grande.
“Manoel de Barros foi um nome icônico da poesia contemporânea brasileira. Tinha uma personalidade muito forte como poeta. Um estilo individual, próprio, que, sem dúvida, deixou uma marca. É uma figura de referência para todos os poetas e vai ficar na história", disse Geraldo Holanda Cavalcanti, poeta e ensaísta.
Outro poeta que também falou sobre a morte de Manoel de Barros, foi Armando Freitas. “O Manoel de Barros percorreu um caminho muito interessante. Começou como um poeta formal, clássico, com uma poesia de dicção nobre, até chegar a uma poesia singular. Acho que a virada se deu com dois livros, "Gramática Expositiva do Chão", de 1966, e "Arranjos para assobio", de 1980. É como se ele tivesse feito uma visita secreta à Guimarães Rosa, pegado rascunhos e composto poemas singulares, muito curiosos, a partir de Rosa".
O poeta, escritor, roteirista e ator, Gregório Duvivier, falou sobre Barros. "Comecei a ler Manoel de Barros no teatro. Tive um professor que dizia que se conseguíssemos declamar Manoel de Barros o resto seria fácil. Ele é dono de uma linguagem muito específica, muito própria. O que fez com a língua parece criança brincando com as palavras. É tão puro, tem tanto estilo, tanta personalidade, tanta profundidade. E, ao mesmo tempo, conseguiu se tornar popular. Está naquela classe de poetas, como Bandeira e Quintana, que conseguiram encher estádios. Manoel De Barros jogou sobre o mundo um olhar fresco, novo, esvaziado do contemporâneo. Parece fora do tempo porque mora no eterno".
(Folhapress)
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