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Livro DVD e o registro do samba no Rio dos anos 30

O escritor e pesquisador musical Humberto M. Franceschi passou 20 anos estudando um período essencial para a música popular brasileira, entre o final dos anos 1920 e o início dos anos 1930, tempo em que surgiu o samba batucado no bairro do Estácio, no Rio

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O escritor e pesquisador musical Humberto M. Franceschi passou 20 anos estudando um período essencial para a música popular brasileira, entre o final dos anos 1920 e o início dos anos 1930, tempo em que surgiu o samba batucado no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro.

As pesquisas de Franceschi renderam um livro considerado obra fundamental na historiografia da música brasileira, “Samba de Sambar do Estácio – 1928 a 1931”, publicada pela primeira vez em 2010.

Nele, Franceschi, morto este ano, descreve o momento em que o samba se transformou, nas mãos de Ismael Silva, Brancura, Bide, Nilton Bastos, Getúlio Marinho, Heitor dos Prazeres, entre muito outros, que compuseram sambas com identidade própria, diferentes dos sambas-maxixes populares na época.

Este mês, o Instituto Moreira Salles relança o livro, com nova capa e um plus: um DVD organizado pelo próprio Franceschi, em parceria com o produtor Carlos Didier e a equipe do instituto, com mapa interativo do Rio de Janeiro nos anos 1930, cem músicas, 21 depoimentos, 54 gravuras e fotos históricas.

Entre as músicas, composições como “Mulher de Malandro”, de Heitor dos Prazeres, e “Homenagem”, de Carlos Cachaça com Cartola, e entre os depoimentos, gente como Athanazia e Bucy Moreira.

O roteiro proposto no mapa, enriquecido por fotografias, sugere um passeio do largo de São Domingos ao Estácio de Sá, cruzando o Campo de Santana, a praça Onze e a zona do Mangue.

No livro, o leitor poderá conhecer os personagens e as histórias que percorreram o largo do Estácio na época e que definiram, segundo o autor, a relação do samba com o candomblé, o futebol e a prostituição.

É a partir de depoimentos dos remanescentes do Deixa Falar, bloco que deu origem ao “samba da sambar”, na definição de Ismael Silva, que são narradas histórias como a da baiana Tia Ciata, avó do compositor Bucy Moreira, que, com um pó de ervas, teria curado a perna do então presidente Wenceslau Braz. Ou sobre o time de futebol do Estácio, o Império, que tinha em sua sede a maior gafieira da cidade.

(Diário do Pará)

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