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Um perfil de Hannah Arendt no cinema

O polêmico filme “Hannah Arendt” entra em cartaz hoje e segue até o dia 27, sempre às 18h30, no cinema Olympia. A entrada é gratuita e a exibição tem apoio do Instituto Goethe. O filme, realizado por Margarethe von Trotta (“A Honra Perdida de Katharina B

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O polêmico filme “Hannah Arendt” entra em cartaz hoje e segue até o dia 27, sempre às 18h30, no cinema Olympia. A entrada é gratuita e a exibição tem apoio do Instituto Goethe.

O filme, realizado por Margarethe von Trotta (“A Honra Perdida de Katharina Blum”) é o retrato de um génio incompreendido, de alguém que se atreveu a fazer uma reflexão sobre o Holocausto de um modo absolutamente inovador e que, mesmo sob duras críticas, se manteve fiel às suas convicções.

Hannah Arendt (1906-1975), filósofa e jornalista judia, e seu marido Heinrich (Axel Milberg) exilaram-se nos Estados Unidos em 1941, após a fuga do campo de concentração de Gurs, durante a Segunda Grande Guerra.

Com a ideia que a América dos anos 1950 é um sonho, em 1951, ela se torna cidadã norte-americana e nesse mesmo ano publica seu livro “As Origens do Totalitarismo”.

A obra tornou-se um clássico dentro da comunidade intelectual e lançou a sua carreira nos Estados Unidos. Em 1961, Hannah parte para Jerusalém para cobrir o julgamento do criminoso de guerra do nazista Adolf Eichmann, para a revista “The New Yorker”. Seu artigo, publicado em cinco partes, teve um enorme impacto midiático.

As suas ideias foram alvo de críticas violentíssimas, quer pela descrição dos conselhos judaicos, quer pela exposição da personalidade de Eichmann. Só que aí começa o verdadeiro drama de Hannah: nos textos, ela descreve que nem todos que praticaram os crimes de guerra eram monstros e relata também o envolvimento de alguns judeus que ajudaram na matança dos seus iguais.

A sociedade se volta contra ela e a “New Yorker”, e as críticas são tão fortes que até mesmo seus amigos mais próximos se assustam. O filme retrata a trajetória de Hannah, e mostra sua firmeza de ideias, mas concentrando-se no caso Eichamann, as reações que ela recebeu, até a obra seguinte, “Eichmann em Jerusalém: Uma reportagem sobre a banalidade do mal”, quando alcançou um lugar de destaque e grande respeito, ainda que sempre controverso, na maior parte dos debates acerca do Holocausto.

Hoje, o livro é tido como uma das suas obras mais importantes. Em entrevista ao New York Times, a diretora Marguerethe von Trotta justificou a escolha explicando que “para um cineasta é melhor ter um confronto do que apenas abstração”.A atriz Barbara Sukova interpreta a pensadora e, como destacou Celso Lafer em um artigo escrito para o jornal “O Estado de São Paulo”, embora não se pareça fisicamente com Hannah, estudou seus gestos e posturas para construir seu personagem.

“Para quem foi aluno de Arendt e a conhecer em 1965, na Universidade Cornell, ninguém é capaz de encarná-la na plenitude da sua iluminadora presença, mas feita essa ressalva, Sukova construiu com propriedade uma figura verossímel”, escreveu Lafer.

CONFIRA

Hannah Arendt, filme de Margerethe von Trotta

Quando: de hoje até dia 27

Hora: às 18h30

Onde: Cinema Olympia (Av. Presidente Vargas, em frente à Praça da República)

Quanto: entrada franca

(Diário do Pará)

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