plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 31°
cotação atual R$


home

_
_

Projeto leva teatro popular à cena

A balconista de supermercado, o feirante, o estudante de escola pública, todos renascem como princesas, príncipes e fadas”, explica o cineasta Vladimir Cunha sobre os pássaros juninos, manifestação cultural realizada exclusivamente no Pará, nascida na Bel

twitter Google News

A balconista de supermercado, o feirante, o estudante de escola pública, todos renascem como princesas, príncipes e fadas”, explica o cineasta Vladimir Cunha sobre os pássaros juninos, manifestação cultural realizada exclusivamente no Pará, nascida na Belle Époque Amazônica.

E seus criadores não eram diferentes daqueles que hoje mantém os pássaros nas ruas, eles eram os profissionais da coxia, os camareiros, serventes e demais trabalhadores do Theatro da Paz, que assistiam às óperas daquele período apenas pelos bastidores e resolveram criar sua própria versão, encenando-a nos bairros de periferia onde moravam.

Para contar esta trajetória, fazer o resgate e reconhecimento do trabalho dos grupos de pássaros juninos, surgiu o projeto multimídia “Os pássaros – A música e o teatro popular do Pará”, composto por livreto, CD e DVD, que serão lançados hoje, a partir das 20h, no anfiteatro do Instituto de Artes do Pará.

O evento conta com show dirigido por Félix Robatto, onde estarão presentes: Richelli Rodrigues, Nanna Reis, Larissa Leite, Camila Honda, Adriana Cavalcante, Aíla, Reginaldo Viana, ProeFex e Cronistas da Rua.

Acantora Ana Clara, que também participa do projeto e se apresenta no lançamento, conta que já achava a manifestação dos pássaros juninos algo “bonito e curioso” por ser tão particular – tão nosso.

“Quando entrei em contato com as músicas do repertório foi bastante tocante”, comenta. De acordo com a característica dos artistas foi selecionado o que cada um poderia cantar na gravação do CD. Ana Clara escolheu “Simpatia do Povo”, que segundo ela, a encantou por ter “um lirismo na simplicidade, por ser uma verdadeira poesia”.

A ideia principal do disco era trabalhar as músicas dos pássaros juninos com uma nova roupagem, na voz de músicos contemporâneos de Belém, como Camila Honda, Felipe Cordeiro, Keila Gentil e Adriana Cavalcante. Assim, as canções ganharam novos arranjos e uma pegada mais moderna, para que fossem mais acessíveis ao público – sem perder sua origem popular. No show de lançamento, o público poderá conferir o mesmo repertório do disco. Já no DVD, ele encontrará o lado mais documental do projeto.

DVD

Realizada entre os anos de 2012 e 2013, a iniciativa levou para o DVD um documentário dirigido por Vladimir Cunha, no qual é possível fazer um passeio histórico pelos pássaros juninos a partir de depoimentos dos brincantes e guardiões dos cordões de pássaros, acompanhados de explanações de João de Jesus Paes Loureiro. O professor fala sobre a tradição transmitida dentro das famílias envolvidas na encenação, pontuando a seriedade e comprometimento destas pessoas.

A importância de manter esta manifestação viva, explica Paes Loureiro, está no fato de que os Pássaros são a principal criação da arte popular da cultura paraense no campo cênico, “além de ser uma dramaturgia original, complexa e inovadora”. Inovadora, ele explica, no sentido de “aliar tradição e renovação cultural, sendo expressão da diversidade da formação cultural do Pará”.

Vladimir conta que quando foi chamado para participar do projeto conhecia os Pássaros de forma superficial – como espectador de algumas oficinas –, e que se encantou com a originalidade e tradição deles. “Ele não mudou muito ao longo dos anos – roteiros e músicas são basicamente os mesmos. Tem alguns que já falam de bomba atômica e usam algumas gírias mais novas, mas a origem não muda”, comenta.

Com música e dramaturgia passadas principalmente de pai para filho, os Pássaros não são apenas uma questão cultural, mas também familiar; inserido no que se chama “comunidade emocional”, como é visto no documentário quando o guardião Vanderlei diz viver no dilema entre terminar de construir a própria casa ou colocar o Pássaro na rua. “Talvez o que mais tenha me surpreendido é essa ligação emocional”, comenta Vladimir.

Para Paes Loureiro, essa característica da passagem de pai para filho é uma forma de manter e fortalecer os Pássaros em seu estado de origem. Se não fosse assim, ele afirma, “correria o risco de por desinformação dessa dramaturgia, essa linha de autenticidade ser quebrada”. Também a cada nova geração, quem chega agrega menos novidades e fortalece mais essa tradição. “Porque as novas ideias estão selecionadas pelo espírito da estrutura histórica do Pássaro Junino. A inovação enriquece sem descaracterizar”, completa.

É preciso destacar que após viver anos de grande apogeu, nas últimas quatro décadas, principalmente após perder o local onde se apresentava – o Teatro São Cristóvão –, os cordões de pássaros juninos acabaram perdendo parte de sua força. Por isso, o registro de suas músicas e dramaturgia – lançados esta noite – pode ajudar também a fortalecer a luta que está sendo travada junto ao Iphan pelo registro do Pássaro Junino como Patrimônio Imaterial Brasileiro, lhe dando a oportunidade de brilhar com mais intensidade.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!