Se depender de Luciana, Carlos Eduardo, Taís, Andréa, Gilson, Socorro, Jurandir, Irandir, Muka e outras centenas de pessoas que frequentam as casas tradicionais de samba da cidade de Belém, o samba não vai morrer. Para eles, o Dia do Samba, celebrado hoje, é, na verdade, todo dia, a toda hora, para ouvir seja no carro, em casa ou no final de semana nos locais sagrados para os sambistas de Belém, como na Casa D’Noca, a tradicional Casa do Gilson e outros tantos recantos dedicados ao gênero espalhados pela cidade.
O carioca Carlos Eduardo Rocha mora em Belém há um ano e trouxe consigo o amor ao samba que todo brasileiro tem, mas que o carioca faz questão de proclamar. “O samba está no sangue de todos os brasileiros. Logo que cheguei aqui procurei um lugar que pudesse ouvir bom samba, e os que mais gosto são da Alcione e Diogo Nogueira. A Casa D’Noca é um ambiente espetacular, não deixa em nada a desejar para os bares da Lapa no Rio de Janeiro”, elogia o oficial da Marinha.
Em meio ao batuque de Darley, do Rancho Não Posso Me Amofiná, o sábado estava animado na moderna casa de samba da cidade. Taís Huhn estava em uma mesa repleta de amigos e estampava no rosto a alegria de estar ali. “Este lugar aqui é bem brasileiro, alegre”, disse a arquiteta. Ao lado dela, a amiga Andréa Teixeira estava pela primeira vez no local, e de imediato aprovou o programa. “Este é o ritmo que está na veia dos brasileiros”, completou a administradora.
Luciana Farjado é a proprietária do local ao lado de Flávia Anjos, e elas enxergam a casa como uma forma de dar vazão à paixão que sempre nutriram pelo ritmo. “Fui criada ouvindo samba, então é uma coisa que adoro. A gente sabia que existia em Belém um público fiel a este tipo de música e queríamos aliar a esta paixão um serviço de qualidade, como boa comida e bebida gelada”, explica a proprietária, que comemora os quatro anos de sucesso do estabelecimento.
Na Casa do Gilson a animação começa no sábado um pouco mais tarde, e também atrai inúmeros sambistas. “Há 12 anos que venho aqui todos os sábados e é sempre maravilhoso. É um local em que a gente se sente em casa e onde tudo é perfeito: a música, o ambiente e a música de raiz, aquela que tem boa letra e melodia”, argumenta a pedagoga Socorro Mericias. “Pretendo trazer meus netos quando eles estiverem maiores e, sempre que posso, os coloco para ouvir os sambas de Arlindo Cruz e de Diogo Nogueira, fazendo assim que a cultura do samba se perpetue. Se mais gente ouvir o samba e perceber o quanto é maravilhoso, com mais força ele continuará”, analisa.
Gilson Rorigues, proprietário do local há 27 anos, diz que há sete cedeu o espaço tradicionalmente do choro para os batuques mais frenéticos do samba atraindo gente como os irmãos Irandir e Jurandir Magno, frequentadores assíduos do local, segundo eles próprios, há décadas.
“O que nos traz até aqui é o samba, sem dúvida. Mas não é qualquer um, é o tradicional, de raiz”, explica o servidor público Jurandir. Para os dois, o ambiente acolhedor e tradicional concede o aconchego ideal para nutrir essa paixão, mas é preciso que as pessoas se abram mais ao estilo. “As pessoas precisam ouvir a música antes de julgá-la. Esses cantores cantam com o coração, eles vivenciaram esses momentos”, garante Jurandir.
No palco do Gilson, o grupo Galo Garnizé é quem entoa os clássicos do samba para os amantes do ritmo ao longo desses 12 anos de parceria. “Quem frequenta aqui gosta das músicas de outrora, de Nelson Cavaquinho, Cartola, Beth Carvalho, Alcione, Arlindo Cruz e, claro, nossa música autoral, o Samba do Galo Garnizé”, explica Muka de Souza, percursionistas e cantor do grupo.
(Diário do Pará)
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