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Morte de Bolaños deixa órfãos milhares de fãs

O Brasil acolheu Roberto Bolaños de coração. O criador das séries “Chaves” e “Chapolin”, que há 30 anos continua fazendo sucesso com o povo brasileiro, era amado por crianças e adultos, que desde pequenos já assistiam aos seriados na televisão. A atração

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O Brasil acolheu Roberto Bolaños de coração. O criador das séries “Chaves” e “Chapolin”, que há 30 anos continua fazendo sucesso com o povo brasileiro, era amado por crianças e adultos, que desde pequenos já assistiam aos seriados na televisão. A atração é exibida pelo SBT desde 1984, quando estreou no programa do palhaço Bozo com o episódio “Caçando Lagartixas”. A notícia da morte do humorista mexicano, no último dia 28 de novembro, comoveu os brasileiros e alguns paraenses expressaram pelas redes sociais a saudade que ele vai deixar.

Quando soube da notícia, o jornalista Thiago Viana ficou tão triste que chorou como quem perde um ente querido. “Já haviam espalhado o boato da morte dele eu estava sem acesso à internet para verificar a veracidade da notícia. Minha agonia foi enorme para saber se era verdade. Foi neste momento que percebi que a morte de Bolaños me toca. Quando descobri que era realmente verdade, chorei a sexta-feira inteira e mais o sábado, porque parecia que tinha perdido um amigo. Postei nas redes sociais a minha tristeza e acompanhei as notícias sobre o funeral”, diz o jornalista.

Thiago reforçou a importância que o personagem teve na sua infância e o porquê de ter permanecido no seu dia a dia até a vida adulta. “Assitia a Chaves e Chapolin quando criança e continuei assistindo mesmo adulto, pelo menos uma vez por semana. O seriado foi algo que me acompanhou, mesmo já tendo visto todos os episódios. Não sei bem explicar a motivação, mas como diz a vinheta, ‘com historinhas bem gostosas de se ver’, acho que é por isso. Ele encanta pelo humor leve, ingênuo. Tem pessoas que dizem que são piadas repetidas e idiotas, mas todos rimos de idiotices, não é?”, argumenta o jornalista.

Thiago acredita que os personagens ainda vão encantar muitas outras gerações com um humor feito sem apelos sexuais e sem utilizar de preconceitos. “Meus sobrinhos de 3 e 4 anos assistem comigo e já se divertem. Na minha geração, a maioria das pessoas assistia, raro quem não tenha tido contato. Se depender de mim, a série será repassada a muitas outras crianças”, avisa.

Apesar de todo sentimento, Thiago não acumulou uma grande coleção de itens de memorabilia, mas guarda com carinho os suvenires dos seus personagens favoritos. “Eu não sou fã de fazer coleções de produtos, mas tenho alguns brinquedos, livros de ilustrações com as história do seriado, lembranças de parte da turma do Chaves e Chapolin e bonequinhos de chumbo”, contabiliza.

DE PAI PARA FILHO, A MESMA PAIXÃO

Hugo Góes também teve a companhia de Bolaños na infância e repassou para o filho Heitor a paixão pelo seriado. “Sempre que posso, assisto com meu filho nos fins de semana, como eu também fazia quando era mais novo. O engraçado é que dou risada das mesmas piadas”, comenta o analista de sistemas.

O filho dele, Heitor, de apenas seis anos, se comoveu tanto com a morte do artista que chorou copiosamente. “Ele viu nos noticiários as homenagens achando que não ia mais ter o programa. Acredito que, apesar dele ser novo, se comoveu porque gosta do programa e já viu o personagem como alguém por quem tem afeto”, completa Hugo.

Heitor confirma o que o pai diz e revela seu medo de não poder mais acompanhar o seriado. “Fiquei triste porque toda vez que aparecia que o ‘Chaves morreu’ me dava medo que não tivesse mais o programa. O episódio que eu mais gosto é aquele que o Chaves derrubou o garçom na água. Dei muita gargalhada”, relembra o menino.

Para Hugo, não existe para as crianças um programa que possa substituir o Chaves. “Não vejo na programação atual algo que possa substituir o enredo tão carismático, justamente pela relação que ele estabelece com nosso próprio cotidiano: a vila, os conflitos e até mesmo os personagens infantis que retratam nossa realidade”, argumenta Hugo.

E não é só na TV que Chaves e Chapolin são sucesso. Eles caíram na era da internet e se transformaram em “memes”, conceitos e pensamentos que se espalham rapidamente pelas redes sociais, com fotos dos personagens para piadas e frases de humor.

“Eles continuam em todos os lugares. Basta ver os famosos memes da internet com fotos dos personagens e dizeres que se renovam a cada semana. O legal é ver um programa fazer tanto sucesso sem apelação sexual e que, até hoje, toca uma criança ou um adulto”, conclui Hugo.

(Diário do Pará)

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