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Exposição mostra um eterno olhar para o passado

Asaudade que sentia dos tempos de infância moveu, mais uma vez, o paraense Alberto Bitar a utilizar a fotografia para visitar o passado e questionar a relação entre imagem e memória. Em “Imêmores Voos”, exposição que abre hoje na Galeria Gratuliano Bibas,

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Asaudade que sentia dos tempos de infância moveu, mais uma vez, o paraense Alberto Bitar a utilizar a fotografia para visitar o passado e questionar a relação entre imagem e memória. Em “Imêmores Voos”, exposição que abre hoje na Galeria Gratuliano Bibas, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, aviões que há muito tempo não voam serviram de recordação para o menino que acompanhava os voos do pai piloto, ao mesmo tempo que questionam os efeitos do tempo em objetos esquecidos e deixados de lado.

Como numa brincadeira de criança que prefere aeromodelos aos carrinhos, o fotógrafo paraense registrou as fuselagens de aviões abandonados às margens da pista Brigadeiro Protásio Oliveira, no bairro do Marco, na capital paraense, e no aeroporto Maestro Isoca e próximo à pista de pouso da empresa Penna, ambos em Santarém.

Alguns exemplos dos modelos Bandeirante, Brasília, Cessna 401 e 402, Sertanejo, Skylane, dentre outros que desbravaram os céus da região aparecem tomados pela trama do matagal onde foram abandonados. Aviões com as asas quebradas, portas de acesso soltas, cascos enferrujados e vidros embaçados pela poeira mostram o processo de deterioração que os objetos - mesmo aqueles que tiveram grande importância para uma pessoa ou sociedade - passam, ainda mais estando na Amazônia.

Do lado interno dos aviões fotografados, Bitar busca homenagear os pilotos e copilotos que se lançavam no espaço aéreo. Detalhes de poltronas, manches e painéis de controle sem os botões lembram os aviadores que não estão mais no seu posto de trabalho.

O registro, ora com caráter mais documental, ora com o movimento e um certo delírio que marcam a obra do fotógrafo, capturam a passagem do tempo. “Busquei aviões de pequeno e médio porte que por diversos motivos não são mais utilizados, com a finalidade de propor uma reflexão sobre memória, tempo, esquecimento, além de fazer uma homenagem ao comandante Brahim, meu pai, e a tantos outros aviadores que voaram sobre essas matas quando ainda mais densas”, explica.

Alberto também retorna aos voos que fazia na companhia do pai. “Me utilizar dessas memórias na produção dos meus trabalhos autorais em fotografia e vídeo tem sido bastante recorrente e prazeroso. ‘Imêmores Voos’, além de uma homenagem aos aviadores que cruzaram a Amazônia, também traz pra mim o sentir saudade, pois era frequente, enquanto fotografava, lembrar das viagens que fiz com meu pai nos bimotores que ele pilotava”, recorda.

CAPTURA

O processo de trabalho também se assemelha ao de séries anteriores. Em visitas solitárias aos aeroportos, Alberto levava apenas a câmera e o tripé, e trabalhou com a baixa velocidade, recurso usado desde o início da sua carreira, inclusive na série anterior, “Corte Seco”.

Com apoio da Infraero, o fotógrafo capturou as imagens ao longo de seis meses, em diferentes turnos do dia. “Inicialmente, as imagens seriam produzidas somente ao anoitecer, à noite e ao amanhecer, mas acabei modificando a abrangência espacial, pois comecei a fotografar em Santarém e lá, pela distância de onde estava até a pista, e pelo tempo que dispunha, acabei tendo que fotografar de dia e gostei do resultado”, descreve.

A série “Imêmores Voos”, que desde o título faz uma alusão à memória, se junta a outras séries menores que se propõem a refletir sobre os efeitos do tempo e remetem à relação de memória e esquecimento. “Elas tratam de um mesmo assunto: objetos esquecidos, abandonados, passado. Itens que mesmo tendo sido causa de atenção de uma ou de várias pessoas, ou mesmo que tenham recebido alguma forma de afeto, foram deixados para trás e trazem marcas provocadas pela ação do tempo”, completa.

VIAJE NO TEMPO

“Imêmores Voos”, fotografias de Alberto Bitar
Onde: Galeria Gratuliano Bibas - Casa das 11 Janelas (Cidade Velha)
Abertura: hoje, às 19h
Visitação: até o dia 18 de janeiro, de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e sábados, domingos e feriados, de 10h às 14h.
Quanto: de graça

(Diário do Pará)

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