plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 31°
cotação atual R$


home

_
_

Em Belém, praças são espaços de arte e boemia

<p style=\"text-align: justify;\"><span>Estar ao ar livre faz parte do gosto popular paraense, por isso as pra&ccedil;as sempre atra&iacute;ram de jovens a bo&ecirc;mios renomados como espa&ccedil;os a serem ocupados com boa m&uacute;sica e outras formas

twitter Google News

<p style=\"text-align: justify;\"><span>Estar ao ar livre faz parte do gosto popular paraense, por isso as pra&ccedil;as sempre atra&iacute;ram de jovens a bo&ecirc;mios renomados como espa&ccedil;os a serem ocupados com boa m&uacute;sica e outras formas de arte. E em Bel&eacute;m, duas se destacam, uma mais antiga e outra que tamb&eacute;m j&aacute; vai contando alguns aninhos e fazendo parte das fotografias e mem&oacute;rias de muita gente: a Pra&ccedil;a do Carmo e a Pra&ccedil;a Ferro de Engomar. Nelas, encontramos gente que fincou os p&eacute;s na grama e dela n&atilde;o deseja sair.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>Um samba dos anos 1960 est&aacute; a tocar em volume agrad&aacute;vel, o necess&aacute;rio para apreciar a m&uacute;sica enquanto se bate um papo. O nome est&aacute; na placa de entrada, chama-se &ldquo;Nosso Recanto&rdquo;, mas &eacute; ignorado. Bom mesmo &eacute; chamar &ldquo;Bar do Salom&atilde;o&rdquo;, que &eacute; o nome do dono, mas acabou sendo adotado por seus frequentadores como forma de se referir tamb&eacute;m ao bar de mesinhas e cadeiras de madeira hist&oacute;rica na Pra&ccedil;a do Carmo.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>Em 1977, seu Salom&atilde;o come&ccedil;ou o bar no espa&ccedil;o aonde hoje funciona o F&oacute;rum Landi. &ldquo;S&atilde;o 37 anos&rdquo;, diz ele. Na &eacute;poca, os ritmos mais tocados eram o bolero e o samba. O p&uacute;blico era composto por bo&ecirc;mios e pescadores. Quando o bar caminhou para a casa vizinha de n&uacute;mero 24, na Rua Siqueira Mendes, entre a Vila Dom Bosco e a Travessa Joaquim T&aacute;vora, j&aacute; era o ano de 1985.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>&ldquo;Ainda tinham alguns pescadores que frequentavam quando eu me mudei. Mas em 1993, quando a pesca foi levada para Icoaraci, j&aacute; veio outro tipo de fregu&ecirc;s&rdquo;, conta Salom&atilde;o Casseb, o propriet&aacute;rio. Sua recep&ccedil;&atilde;o ent&atilde;o sofreu algumas mudan&ccedil;as, pois &eacute; ele quem seleciona m&uacute;sicas de sua pr&oacute;pria cole&ccedil;&atilde;o de vinis para embalar a conversa dos clientes, regadas tamb&eacute;m a bolinho de bacalhau, ao famoso camar&atilde;o empanado e caipirinha.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>O repert&oacute;rio do bar passou a incluir mais MPB junto ao bolero. &ldquo;Tem alguns clientes que sempre v&ecirc;m e pedem m&uacute;sica antiga. O pessoal da boemia como vem aqui... O dia de maior movimento &eacute; a sexta-feira e o domingo &agrave; tarde&rdquo;, avisa. Dos artistas que costumam estar no bar e fazer pedidos, seu Salom&atilde;o cita Oswaldo Bezerra, &ldquo;o rei do brega&rdquo;. &ldquo;Ele sempre anima a casa&rdquo;, comenta.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>Tudo &eacute; bem aprovado por quem frequenta, desde quem vem de longe a quem mora ali pertinho. &ldquo;Gosto muito, principalmente por ficar no cora&ccedil;&atilde;o da Cidade Velha, centro hist&oacute;rico de Bel&eacute;m, a uns tr&ecirc;s quarteir&otilde;es de casa&rdquo;, brinca o administrador Thiago Ramos.&nbsp;</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>&ldquo;Um lugar bom para estar com os amigos, beber uma cerveja e ouvir algum cl&aacute;ssico da m&uacute;sica. Seu Salom&atilde;o sempre surge com alguma p&eacute;rola da MPB. Al&eacute;m disso, tem algo de sentimental em estar num lugar t&atilde;o cheio de hist&oacute;ria&rdquo;, descreve.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>H&aacute; sete anos, o pessoal do F&oacute;rum Landi tamb&eacute;m deixou para seu Salom&atilde;o alguns quadros para compor o cen&aacute;rio do bar que se integra &agrave; hist&oacute;ria da Pra&ccedil;a do Carmo. &ldquo;At&eacute; hoje eles s&atilde;o admirados por turistas, s&atilde;o fotografados por quem vem aqui pela primeira vez&rdquo;, conta Salom&atilde;o. Cada quadro retrata uma lenda do bairro e, principalmente, da pra&ccedil;a. O dono do bar conta do seu favorito, o que tem um sacrist&atilde;o colocando v&aacute;rios meninos para fora da igreja.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>&ldquo;Quando a gente era moleque &ndash; eu moro aqui desde 1956 &ndash;, ia at&eacute; a igreja de Santo Alexandre direto. A gente queria entrar para ver se era verdade o boato de que uma garota levantou uma vassoura para bater na m&atilde;e e virou pedra. Diziam que ela estava l&aacute; no alto, ent&atilde;o a gente ia tentar subir l&aacute;, mas o sacrist&atilde;o n&atilde;o deixava. A&iacute; fizeram esse quadro em homenagem a isso&rdquo;, ele ri ao lembrar. Enquanto isso, de dentro do bar, vem o som de um bolero.&nbsp;</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>CENTRO CULTURAL VIZINHO</span><br /><br /><span>H&aacute; algum tempo, artistas resolveram ocupar a cidade. &ldquo;E ocupar a cidade n&atilde;o &eacute; uma tarefa simples quando a gente tem um poder p&uacute;blico municipal e estadual que atrapalha a gente. Ent&atilde;o n&oacute;s, um pessoal de teatro, de artes pl&aacute;sticas, do v&iacute;deo mapping, do cinema e da m&uacute;sica, temos come&ccedil;ado um movimento de resist&ecirc;ncia&rdquo;, diz Adriano Barroso.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>O movimento chamou-se &ldquo;[Entre] Um Lapso Gostoso&rdquo; e surgiu para dar apoio, visibilidade e ocupa&ccedil;&atilde;o ao Centro Cultural do Carmo, j&aacute; carinhosamente chamado de CCC, que surgiu em ambiente privilegiado: a Pra&ccedil;a do Carmo. O lugar, que possui rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica com Bel&eacute;m, parece ter uma aura que inspira artistas e p&uacute;blico em geral na busca por uma Bel&eacute;m charmosa e cultural.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>&ldquo;Estar incrustado no Carmo, na Cidade Velha, para a gente tem uma signific&acirc;ncia muito maior de uma cidade que n&oacute;s queremos construir como cidad&atilde;os e como artistas. O que a gente pode dar para essa gera&ccedil;&atilde;o &eacute; isso, um movimento que &eacute; de gra&ccedil;a. As pessoas podem vir aqui e partilhar com os artistas, entre elas e com a cidade&rdquo;, declara Adriano, que lan&ccedil;ou no CCC seu filme &ldquo;&Oacute;pera Cabocla&rdquo;.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>O movimento culminou na &uacute;ltima quinta-feira, 18, com um bazar de obras de arte. Mas a iniciativa n&atilde;o deve parar por a&iacute;. A pra&ccedil;a deve ganhar ainda algumas atividades de integra&ccedil;&atilde;o. Todo dia, quem chega ao local por volta das 19h, encontra crian&ccedil;as da comunidade do beco do Carmo brincando por l&aacute;. E, para elas, o Centro pensa em um festival.&nbsp;</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>&ldquo;Eu cheguei a ver Leila Pinheiro num piano de cauda na &eacute;poca do coreto que deu lugar ao anfiteatro no centro desta pra&ccedil;a. O CCC &eacute; um grande presente para a pra&ccedil;a retomar essa vida&rdquo;, declara Luiza Bastos, gerente do espa&ccedil;o.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>O casal Marina Reis, 25, e Caio Carneiro, 27, adoraram conhecer o novo espa&ccedil;o. &ldquo;A gente estava passando por aqui e entrou para ver o que era. Estudei no Col&eacute;gio do Carmo por muitos anos e sempre me entristeceu ver esse pr&eacute;dio abandonado. Nem acreditei quando vi ele assim, recuperado&rdquo;, comenta Caio, na esperan&ccedil;a que mais casar&otilde;es da pra&ccedil;a sejam ocupados com arte.&nbsp;</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\">NO COMPOSI&Ccedil;&Atilde;O, O ASSUNTO &Eacute; CULTURA</p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>No in&iacute;cio, tudo era uma ideia vaga: encontrar um lugar e abrir um neg&oacute;cio. &ldquo;O lugar foi determinante para se montar logo o bar. A pra&ccedil;a e a casa, que &eacute; interessante, bonitinha, foram atrativos e inspiradores, e deram essa for&ccedil;a pra gente montar o neg&oacute;cio&rdquo;, conta Lilian Pinheiro, que, em parceria com o namorado, montou o &ldquo;Composi&ccedil;&atilde;o - Arte e Bar&rdquo;, localizado na Pra&ccedil;a Ferro de Engomar, na Campina.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>O casar&atilde;o antigo e estreito, de dois pavimentos, &eacute; charmoso e, em si mesmo, uma obra de arte. As pessoas querem entrar para olhar cada detalhe &ndash; uma cadeira vermelha retr&ocirc;, uma vitrola, corujas artisticamente pintadas e penduradas na escada secular... &ndash;, e isso acaba chamando a aten&ccedil;&atilde;o para a exposi&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica que est&aacute; um pouco mais adentro. &ldquo;&Eacute; sempre assim&rdquo;, diz Lilian.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>E n&atilde;o &eacute; de hoje que a pra&ccedil;a abriga espa&ccedil;os bo&ecirc;mios e atrativos para os jovens artistas da cidade. Ali fica o Palacete Vitor Maria da Silva, resid&ecirc;ncia do final do s&eacute;culo 19 que leva o nome de um dos engenheiros mais importantes daquele per&iacute;odo. Al&eacute;m disso, no in&iacute;cio dos anos 1980, a pra&ccedil;a foi palco de reuni&otilde;es entre grupos de teatro, jornalistas e fot&oacute;grafos, no famoso &ldquo;Bar 3x4&rdquo;, ber&ccedil;o da funda&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Fotoativa.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>&ldquo;As pr&oacute;prias pessoas que frequentavam o bar foram interagindo com a gente e sugerindo quem poderia expor, indicando o trabalho de amigos e conhecidos. A primeira exposi&ccedil;&atilde;o foi uma mistura de grafitagem e pintura. &Eacute; muito mais interessante quando &eacute; uma galera mais nova tamb&eacute;m, querendo espa&ccedil;o para iniciar seu trabalho&rdquo;, conta Lilian.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>Os donos do lugar admitem ter um pouco da refer&ecirc;ncia do &ldquo;3x4&rdquo;, que deixou muita gente saudosa. Eles j&aacute; pensam em fazer uma exposi&ccedil;&atilde;o sobre o antigo bar com fotografias daquela &eacute;poca cedidas do arquivo pessoal de quem frequentava o local no passado. E ainda tem quem esteja &ldquo;descobrindo&rdquo; o local.</span><br /><span>&ldquo;Eu sempre trago meus amigos e gente que vem visitar a cidade. Acho que o que mais atrai nesse lugar &eacute; o fato de ser totalmente isolado, foge totalmente do caos que &eacute; Bel&eacute;m. O ambiente aberto, &iacute;ntimo &ndash; a pra&ccedil;a &eacute; pequena e quase escondida &ndash; torna tudo melhor&rdquo;, declara Daniele Soares, 24, universit&aacute;ria e frequentadora ass&iacute;dua do Composi&ccedil;&atilde;o.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>O repert&oacute;rio musical tamb&eacute;m d&aacute; uma aula de m&uacute;sica popular brasileira e paraense. Quando entra algo internacional, &eacute; quase exclusivamente um jazz. &ldquo;A gente d&aacute; prioridade para m&uacute;sica paraense. Tem gente que traz o CD e a gente sempre procura incluir, colocar algumas m&uacute;sicas para tocar&rdquo;, diz Lilia. Foi o caso da cantora A&iacute;la, que levou o trabalho novo para tocar na casa, iniciativa que a universit&aacute;ria Beatriz Paix&atilde;o aprovou.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>&ldquo;Venho aqui desde que abriu, no in&iacute;cio do ano, e sempre gostei do conjunto da obra: o ambiente da pra&ccedil;a, a boa m&uacute;sica, comida e as exposi&ccedil;&otilde;es &ndash; adorei a atual que re&uacute;ne o Apoena Augusto, Z&eacute; Paulo e Cassiano&rdquo;, diz ela, referindo-se &agrave; mostra fotogr&aacute;fica &ldquo;Bel&eacute;m da Gambiarra&rdquo;, que encerra neste domingo. Enquanto concede esta entrevista, Beatriz est&aacute; em companhia de duas amigas em uma mesa para dez pessoas. &ldquo;&Eacute; sempre assim, n&atilde;o demora a mesa t&aacute; cheia de gente, todo mundo sempre acaba vindo pra c&aacute;&rdquo;, comenta.</span></p>
<p style=\"text-align: justify;\"><span>(Di&aacute;rio do Par&aacute;)</span></p>

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!