<p style=\"text-align: justify;\">Mais leitores, novas editoras, novos formatos para a leitura. O mercado livreiro no Brasil anda na contramão do mundo ao tornar-se mais diversificado e com boas perspectivas. Isso é o que declara Lilia Schwarcz, escritora e fundadora da Companhia das Letras. E um dos elementos que mostram que o mercado brasileiro está em crescimento é uma pesquisa publicada em 2012 pelo Instituto Pró-Livro (a mais recente do setor), na qual 49% dos entrevistados afirmavam estar lendo mais do costumavam ler em anos anteriores.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">Lilia é professora titular no Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo-USP e na Global Scholar da Universidade de Princeton (EUA) e diz que, pela perspectiva de alguém que anda por dois países tão distintos, vê o Brasil indo “de vento em popa”: “O Brasil vive uma situação muito positiva em relação aos livros. Eu, que trabalho na USP e em Princeton, perto de Nova York, há seis anos, fui vendo a queda altamente significativa no número de livrarias e mesmo na compra de livros”, revela.Segundo a última edição da pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, divulgada em 2013 pela USP sob encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato dos Editores de Livros (Snel), as editoras brasileiras venderam 434,92 milhões de livros em 2012, representando uma queda de 7,36% em relação aos 469,46 milhões de exemplares vendidos em 2011.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o faturamento cresceu em 3,04% ao somar R$ 4,83 bilhões em vendas.“O Brasil, com esse crescimento da nova “classe C” que todos falam, que tem no livro um símbolo de entrada na cidadania, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, por exemplo, vive uma contramão positiva. Acho que nós estamos crescendo (editoras e livrarias) e nosso público leitor vai crescendo junto. Temos bastante orgulho disso. Eu fui ver a última feira de livros lá em São Paulo e é impressionante o público que está lá, o público que lê”, declara Lilia.</p>
<p style=\"text-align: justify;\"><br />O caminho está no bolso ou no tablet No Brasil, outro caminho que parece se abrir é o da leitura digital, com os famosos e-books que já começam a atrair novas editoras para o país. A primeira a entrar no mercado brasileiro foi a Kobo, em parceria com a Livraria Cultura. E agora também temos as lojas virtuais da Apple e Google, além da Amazon.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">Esta última ainda guardou uma carta na manga: desde agosto passou a vender em seu site também livros físicos. “Considero que o livro virtual ainda não é uma realidade no Brasil, mas está virando.A partir do momento em que o governo, por exemplo, distribuir tablets, a partir do momento em que o preço dos tablets ficar competitivo como já é em outros países, acho que essa também será uma possibilidade”, diz Lilia, que ainda aposta nos livros de bolso como uma opção mais bem desenvolvida.“Há uma nova mentalidade em relação a isso. Houve uma época no Brasil na qual as pessoas tinham preconceito com o livro de bolso, achavam que não era bom, que não valia. Agora, como as pessoas querem de fato ler, o fator econômico tornou-se muito importante. Essa se tornou uma possibilidade bem real”, declara, cercada dos livros de sua autoria, todos em versões bem elaboradas e ao mesmo tempo, com valor acessível.Seu livro “As Barbas do Imperador - D. Pedro II, um Monarca nos Trópicos” ganhou o prêmio Jabuti de Livro do Ano, em 1999. Além deste, Lilia Schwarcz publicou também “O Sol do Brasil”, sobre o pintor francês Nicolas-Antoine Taunay, prêmio Jabuti de melhor biografia em 2009, e “D. João Carioca”, história em quadrinhos sobre a chegada da Corte portuguesa ao Brasil, como uma das autoras.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">À frente de uma grande editora como a Companhia das Letras, ela diz que aprendeu a importância de manter um catálogo grande e heterogêneo.“Eu sou da academia e sou do mundo editorial também – e lógico que não tenho nenhum preconceito. Acho que toda a maneira de entrar no mundo da leitura é uma boa maneira de entrar. Acho que o novo desafio - e a nova aposta é isso - é abrir para esse público plural e investir nele”, afirma a editora, que viu esse processo se desenrolar dentro da sua própria empresa, que começou como uma editora mais acadêmica, se abriu para a ficção e agora vem publicando ficções mais contemporâneas, além livros infantis e em quadrinhos.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">(Diário do Pará)</p>
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