<p>Eles são um grupo de ilustradores que resolveu “sair do papel”. E sair do papel significa muito mais que ir para as redes sociais. Significa promover sua arte através do debate, do encontro entre suas diversas vertentes, se unir em torno de novos projetos e experiências. Significa a busca da qualificação do mercado e expor os trabalhos que já estão aí, aguardando por uma aproximação maior com o público. Assim nasceu o Argonautas – Coletivo de Ilustradores.</p>
<p>O idealizador inicial foi o ilustrador Emerson Coe, que sentia falta de um mercado mais abrangente, onde o trabalho realizado por ele fosse valorizado. “O que acontece a maior parte do tempo é que tenho que vender meu trabalho para diversas formas de mídia – como agências de publicidade, jornais, sites – para os quais sou amarrado a um padrão e determinadas exigências. Queremos abrir um nicho novo, no qual possamos vender e expor nosso trabalho da forma como queremos, a partir de uma criação livre”, explica.</p>
<p>Para a ideia tomar forma, ele começou a chamar outros ilustradores profissionais, que eram seus amigos, mas não se conheciam entre si. Renata Segtowick, uma das convidadas, recebeu o convite com entusiasmo: “Acho que Belém estava precisando de um movimento de ilustradores”, comenta. Aprovado por unanimidade, o coletivo logo desenvoveu suas primeiras propostas de atuação: a promoção da arte, do design gráfico e da ilustração no Pará produzida de forma independente, e a curadoria do que é produzido atualmente.</p>
<p>Também é intenção do grupo promover oficinas, a criação de obras e exposições conjuntas, além de desenvolver pesquisa de linguagens. Emerson diz que foi surpreendente quando o coletivo decidiu colocar uma fanpage no ar para publicar seus trabalhos e divulgar o que vier pela frente.</p>
<p>“Nós recebemos muitas mensagens de gente que achou legal a criação do coletivo e os nossos trabalhos. Conseguimos 500 likes em uma semana!”.</p>
<p>A maior parte do público são outros ilustradores e designers, além de artistas visuais. Este profissionais acreditam que a ideia pode ser um começo para mudar o cenário existente na capital paraense, e criar condições para viver dessa arte – que também é profissão – sem amarras. O designer Adailton Martins, diz que entre “muita coisa” que falta para este mercado, o pior está na falta de valorização. “As pessoas pensam que não vale a pena pagar por criação...”, diz ele. </p>
<p>Os “argonautas” ainda pensam se abrirão para quem quiser participar do coletivo ou se manterão o grupo fechado em sua coordenação e apenas abrirão espaço para divulgar o trabalho de outros, e claro, para o debate. “Já tem muita ideia nascendo, incluindo coleções de objetos, como camisas ou canecas, compostas por uma ilustração de cada um – somos dez, então daria uma coleção bem diversificada”, diz Emerson.</p>
<p>E daria mesmo, pois cada integrante do Argonautas tem seu próprio estilo. Brenda Failache traz um estilo mais místico; Emerson Coe lembra os desenhos em quadrinhos, passando também por temas regionais; Emmanuel Thomaz lembra as HQs americanas; Fábio Vermelho traz desenhos extremamente detalhistas; João Cirilo traz à tona obras em xilogravura, entre outras. A ilustradora Renata Segtowick traz seus traços femininos para diversos projetos, incluindo ilustrações para uma coleção de camisas.</p>
<p>“Acho importante o intercâmbio de técnicas. Entrando em contato com outros ilustradores, acabamos aprendendo também, inspirando e sendo inspirados por outros. Além do que, fortalece o movimento”, destaca Renata.</p>
<p>Além dela, que trabalha com ilustração digital, também há Roberta Do Couto, Rodrigo Cantalício, John Bogéa e Vilson Vicente, todos com traços bem pessoais. Enfim, o encontro com estes trabalhos é uma boa oportunidade de ver quantos paraenses têm desenvolvido trabalhos criativos e que merecem destaque na cena cultural – e também comercial – da cidade.</p>
<p>(Diário do Pará)</p>
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