Passar a virada de ano dentro de um ônibus pode parecer um programa ruim. Mas não se o ônibus for a própria festa. Essa é a proposta da Bus Party Réveillon com Farinha: subir a bordo do ônibus do Locoreggae, o ônibus que ainda segue em Belém integrando diversas atividades culturais, e passar pelos melhores locais da cidade onde estejam acontecendo festas de Ano-novo.
A proposta é a nova tendência de festa no Brasil. Mas enquanto em São Paulo uma Bus Party começou a circular este ano com capacidade para 40 pessoas, o ônibus de Belém, bi-articulado, acomoda até 100 pessoas.
“Nossa ideia é promover encontro, diálogos e festas. Até porque é supermoderno essa coisa de festa móvel. Vamos sair de São Brás às 22h do dia 31 e já começar a festa dentro do ônibus, com reggae e música eletrônica. A segunda parada é em uma lanchonete da Visconde de Souza Franco. De lá, seguimos para a Estação das Docas. A partir daí a proposta é curtir um pouco as comemorações no Portal da Amazônia e começar a manhã do primeiro dia de 2015 com um delicioso banho de igarapé no Parque dos Igarapés”, explica Viviane Menna Barreto, organizadora do evento.
A modernidade da proposta não está apenas em ser uma festa itinerante, dentro de um ônibus diferente, mas também por ser feita através de financiamento coletivo, e por integrar personagens do mundo virtual à comemoração.
“Queríamos uma festa feita para quem não vai viajar e pensei primeiro em reunir apenas familiares e amigos, mas depois a criatividade foi nos munindo de ideias: o financiamento coletivo, a integração com as pessoas do canal Youtube com Farinha, que batizaram a festa, e do curta ‘Encantada do Brega’, que toparam participar do evento, e claro, tocar a trilha sonora do filme no ônibus para todo mundo dançar”, completa Viviane.
Esta não é a primeira festa que Viviane organiza dentro de um ônibus. Até a festa de 15 anos de sua filha foi dentro do coletivo. “Já é a terceira festa que a gente se faz nesse ônibus. Acho muito bacana a iniciativa do Locoreggae de cruzar o Brasil inteiro com esse ônibus, mapeando cultura do reggae. E enquanto ele estiver na cidade, temos que aproveitar. Já o utilizamos para ligar todos os palcos da Virada Cultural e depois eu fiz a festa surpresa de 15 anos da minha filha dentro dele. Fui buscá-la junto com as amigas na escola e comemoramos dentro do ônibus”, relembra.
Para ela, o ônibus é um meio de comunicação, porque liga diversos pontos da cidade e por isso deve ser explorado. “É, sim, uma tendência fazer festas nos ônibus por causa dessa questão da itinerância. É um espaço de comunicação que se locomove e integra experiências. Temos que cada vez mais nos adaptar a esses modelos de gestão coletiva inaugurados pelas novas tecnologias. Na nossa festa, todos podem dar ideias e sugestões. A programação não é fechada, e apesar da limitação de vagas, cem pessoas no ônibus, a festa está aberta ao público enquanto tivermos vagas disponíveis”, explica Viviane.
Para quem decidir participar desse réveillon diferente,o veículo é climatizado, montado como uma superboate itinerante, dividida em duas pistas de dança. A festa vai ser animada por música ao vivo, com a banda Jah Mind e participação de Gina Lobrista. Também com música eletrônica, comandada pelos DJs W-ill Love, da Gang do Eletro, e Sky George.
“Hoje em dia todas as grandes capitais pensam o réveillon com muito carinho e falta algo mais descolado em Belém, que fuja do convencional. Estamos fazendo essa experiência de mobilização”, finaliza Viviane.
(Diário do Pará)
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