De hoje até o dia 9 de janeiro, a programação do cinema Olympia é especial de fim de ano. Sempre às 18h30, a sala reexibe os seus melhores filmes de 2014, aqueles que foram sucesso de público e crítica. A classificação mínima para todos os filmes é 12 anos, mas há opções para todos os gostos, incluindo uma animação japonesa e a biografia do herói venezuelano Simón Bolívar.
Hoje, na abertura da programação, o público poderá rever “Barbara” (2012). Exibido no Olympia em julho, o filme deu a Christian Petzold o prêmio de melhor diretor no Festival de Berlim de 2012. A personagem principal, interpretada por Nina Hoss, é uma cirurgiã pediátrica que atua em um hospital a leste de Berlim. Quando as autoridades desconfiam que ela deseja passar para o lado oriental, a transferem para uma pequena clínica no interior.
As cenas de medo à luz do dia e ao ar livre deste primeiro filme são de assustar o espectador. É difícil desvendar os segredos guardados por Barbara.
Não é possível saber também, até a cena final, se o diretor do hospital, André (Ronald Zehrfeld), quer ajudá-la ou espioná-la a pedido do governo. É preciso estar atento do início ao fim da trama.
No segundo dia, o cinema traz “Bolívar – O Homem das Dificuldades” (2013). Exibido em maio, narra a trajetória do revolucionário e libertador venezuelano Bolívar, que durante seu curto tempo de vida (1783/1830), liderou a Bolívia, a Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela nas lutas pela independência, ajudando a lançar bases ideológicas democráticas na maioria da América Hispânica.
Outro grande nome é abordado na sessão de domingo em mais uma cinebiografia. “Hannah Arendt” (2013), exibido em novembro, faz o retrato do gênio que sacudiu o mundo com a descoberta da “banalidade do mal”. Depois de participar do julgamento do nazista Adolf Eichmann, em Jerusalém, Hannah Arendt ousou escrever sobre o Holocausto em termos nunca antes ouvidos. O filme expõe a sedutora mistura de arrogância e vulnerabilidade de Hannah, revelando uma alma definida e marcada pelo exílio.
Outro filme do mês de novembro a ser retomado é “Uma Passagem para Mário” (2014), que será exibido na terça-feira. Representante nacional nesta seleção de fim de ano, este é o primeiro longa-metragem do cineasta cearense Eric Laurence, feito em formato de documentário. Seus temas principais são amizade e superação da morte, contando uma viagem que começa no Recife, passa pela Bolívia e termina no Chile.
No dia seguinte, a programação traz o drama “No Fundo da Floresta” (2010), exibido em outubro no Olympia, em parceria com a Cinemateca Francesa. Ambientado no sul da França, no ano de 1865, o longa traz a história de um mendigo que pede guarida na casa de um médico conhecido por acolher os desvalidos e sentá-los à sua mesa. Mas é a filha do médico quem se deixa perturbar pela estranha criatura sentada à mesa.
A adaptação da obra “A Hora Zero” (2007), de Agatha Christie, exibida em setembro, será a sessão de quinta-feira. Nela o público tem o mistério formado quando o personagem Guillaume tem a péssima ideia de convidar a ex-esposa, Aude, para uma reunião de família na luxuosa propriedade da tia rica Camilla, e a nova mulher, a temperamental Caroline, se enche de raiva. As coisas ficam realmente feias quando Camilla é encontrada morta.
Já o encerramento da mostra, na sexta-feira, será com a animação “A Criança que Busca Vozes do Abismo Profundo” (2011). Exibido no final de novembro, ela traz Asuna, uma menina que vive uma vida solitária. Seu pai faleceu e sua mãe está sempre ocupada com o trabalho no hospital. Um dia, ela se vê em perigo ao encontrar um “urso” que está atacando pessoas da sua vila e é salva por Shun, um misterioso garoto que diz ser de Agartha, e esse encontro acaba por mudar sua vida para sempre.
A programação deixa claro como o cinema Olympia tem conseguido se manter atual – com filmes sendo lançados nacionalmente em sua tela, como no caso de “Uma Passagem Para Mário” – e diversificado, ao trazer produções independentes e de reconhecimento internacional, como “Hannah Arendt” e “Barbara”. Segundo Marco Antônio Moreira, crítico de cinema e programador do Olympia, o que colabora para manter a qualidade dos filmes são os contatos com cinematecas e institutos.
“Temos mantido uma boa parceria com o Instituto de São Paulo, que tem trazido muitos filmes alemães inéditos, que dificilmente chegariam ao circuito comercial e até ao cinema alternativo de Belém. Através do Consulado da Venezuela, trouxemos filmes como ‘Bolívar’, e com o Consulado do Japão, escolhemos ‘A Criança que Busca Vozes do Abismo Profundo’, que fecha a mostra”, destaca.
O plano para 2015 é continuar caminhando para mais parcerias, mais público e a maior frequência de filmes nacionais. “O cinema teve um bom público, mas sempre achamos que merecemos mais. Houve filmes tão bonitos, e a gente lamenta que alguns não tenham chegado ao número de público que mereciam. Já estamos em contato para novas parcerias no ano que vem e queremos dar uma atenção especial para o cinema brasileiro. Há muitos inéditos em Belém”, adianta Marco Moreira.
Duas mostras já estão previstas para o ano que começa, uma delas com filmes do diretor Sílvio Tendler, incluindo o documentário “Jango”, que narra o governo de João Goulart enquanto presidente do Brasil, de 1961 a 1964. Outra é uma mostra em homenagem ao cineasta Eduardo Coutinho, considerado um dos mais importantes documentaristas da atualidade, morto em fevereiro.
Mostra Melhores do Ano
Onde: Cine Olympia (Av. Pres. Vargas, em frente à Praça da República)
Quando: de hoje até dia 9, às 18h30
Hoje: “Barbara”
Dia 03: “Bolívar – O Homem das Dificuldades”
Dia 04: “Hannah Arendt”
Dia 06: “Uma Passagem para Mário”
Dia 07: “No Fundo da Floresta”,
Dia 09: “A Criança que Busca Vozes do Abismo Profundo”
Quanto: de graça
(Diário do Pará)
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