Informação também movimenta o interesse dos novos consumidores de cerveja, que entendem que o produto pode ser mais refinado. E é nessa busca por conhecimento que muitos mitos colados na história de fabricação do produto acabam caindo por terra. Um deles é o de que o uso de fontes de água puríssima refletiria em diferenças na qualidade de cervejas produzidas, às vezes por uma mesma marca, mas em locais diferentes.
Cidades como Agudos, em São Paulo, e Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, levam essa fama de produzir boas cervejas pela qualidade da água.
“Hoje, nas indústrias, a água é deixada em estado puro para fazer a cerveja. Quando algum elemento em especial é deixado, fica em uma graduação predeterminada e igual a de qualquer fábrica daquela marca. Tudo é padronizado”, ele explica. O mito só faria sentido há muitos séculos, quando as cervejarias precisavam de boas fontes de água e não era possível alterar as características físico-químicas da água.
Eventualmente, pode ocorrer de um determinado lote sair diferente de outros, mas quando isso acontece, a menos culpada é a água. “A forma como a cerveja é armazenada e transportada pode causar essa diferença. Expor à luz, chacoalhar, sofrer mudanças bruscas e sucessivas de temperatura...Mal feita, não é. Se chega ‘zoada’ até o copo, é porque algo aconteceu no caminho”, afirma o sommelier de cervejas.
Outra relação equivocada está em associar a cor da bebida ao seu teor alcoólico. Não é porque uma cerveja é mais escura que deixará você bêbado mais rápido. De acordo com Maurício, a coloração é causada pela tonalidade do malte usado na receita. “A Duvel, por exemplo, vinda da Bélgica, é uma das mais apreciadas do mundo e chamada ‘demoníaca’ por seu teor de 8% de álcool, mas é bem mais clarinha que muitas cervejas menos alcoólicas”.
Lata ou garrafa? Independente da opção, é bom saber que nenhum dos materiais influencia no gosto das brejas. “O tempo de maturação para as cervejas em lata ou garrafa é sempre o mesmo. A diferença talvez seja o fato de a cerveja engarrafada levar um pouco mais de gás do que a de lata ou barril”, explica.
Isso acontece apenas porque as tampinhas de metal das garrafas são mais permeáveis e o gás extra garante a conservação por mais tempo. Assim, a cerveja na latinha parece levemente mais “suave” ao paladar. Se você ainda não acredita, é só continuar testando. É uma boa desculpa quando não se tem “o melhor emprego do mundo”, como Maurício Beltramelli.
(Diário do Pará)
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