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Jamil Damous pousa sua escrita no cyberespaço

Jamil Miguel Damous Filho nasceu em Turiaçu, cidadezinha no interior do Maranhão. Foi para São Luís aos dez anos de idade e veio para Belém aos quinze. Foi aqui onde começou sua carreira de poeta, letrista de MPB, jornalista e publicitário. Hoje, mora no

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Jamil Miguel Damous Filho nasceu em Turiaçu, cidadezinha no interior do Maranhão. Foi para São Luís aos dez anos de idade e veio para Belém aos quinze. Foi aqui onde começou sua carreira de poeta, letrista de MPB, jornalista e publicitário. Hoje, mora no Rio de Janeiro, aonde chegou com apenas 23 anos, e logo lançou seu primeiro livro: “Tempo Turiense e Outros Tempos”.

Mesmo distante, o poeta mantém a parceria com compositores paraenses como Nilson Chaves, com quem fez “Constelação Sentimental”, “Da Minha Terra” e outras canções de sucesso que até hoje são tocadas por aqui. Ele acaba de lançar um novo livro de poesia, “O Rei do Vento”, e incluiu Belém no roteiro, parando para conversar com o caderno Você sobre um pouco de tudo: poesia, saudade e futuro.

Você costuma dizer que apesar de ter vivido apenas oito anos em Belém, dos 15 aos 23, se considera culturalmente mais paraense que maranhense ou carioca. O que tem aqui que causa toda essa empatia?

Esse é o período quando tudo de mais importante na vida da gente acontece: a primeira namorada, o primeiro emprego, a entrada e a saída da faculdade, as primeiras produções artísticas (no meu caso), aquelas que irão definir quem você é. Além disso, tem a abertura das pessoas daqui... Eu paro para comer aquelas comidas de rua que adoro, e várias vezes acontece de eu começar a conversar com a dona da venda e de repente estar falando da vida como se a conhecesse há anos...

Tem alguma saudade desse Jamil jovem que viveu em Belém?

Tem muitas! De quando eu descia jovem e bêbado por aquelas ruas do Umarizal e vinha aquele cheiro de sabonete Phebo... Ainda tem aquele cheiro lá?... E dos guaranás! Eu sinto uma falta enorme dos guaranás, Garoto... Para você ver como sou antigo: o Guarassuco, o Baré... (risos).

E você ainda consegue manter contato com seus amigos daqui?

Nunca perdi o contato com a cidade, venho com frequência, para matar a saudade dos amigos e dos parentes. A internet hoje facilita muito essas coisas. Tenho até mais amigos paraenses que cariocas nas redes sociais.

“O Rei do Vento” está dividido em sete partes. Uma delas é “As Letras Invisíveis”, trazendo uma coletânea de letras de músicas. Poderia comentar um pouco esta parte?

Acho que algumas letras de música, conseguem, de forma independente da melodia, ser também poesia. A típica letra é aquela que é feita posteriormente à música. A grande maioria das minhas são atípicas. Foram versos que queriam ser letra de música e conseguiram ser depois, ao encontrar um parceiro. Por quererem ser, já traziam em si uma musicalidade, perceptível no ritmo, nas rimas, na métrica.

Carlos Drummond de Andrade elogiou seu livro de estreia, “Tempo Turiense e Outros Tempos”, escreveu “obrigado, poeta, pelo seu ‘Tempo Turiense’, que me fez sentir vivamente os encantos das imagens nativas recriadas pela poesia”. Como foi receber estas palavras?

Isso foi de uma gentileza sem tamanho da parte dele. Na verdade, foi minha esposa que naquela época enviou um exemplar para ele. Quando soube, falei “você não devia ter feito isso, ele é uma pessoa ocupadíssima, nem terá tempo de ver isso”. Mas ele respondeu e acredito que realmente tenha lido, porque na carta faz referências bem íntimas ao livro. Veio assinado, tudo muito bonitinho com a letra dele. Fiquei muito emocionado.

Depois de trabalhar por anos como publicitário na divisão de merchandising da TV Globo, soube que você pretende se aposentar no próximo ano. Isso inclui aposentar o poeta também?

De jeito nenhum! Publicitário e poeta não se misturam. Gosto do que faço profissionalmente, fazendo o melhor que posso com a minha mão esquerda. A direita, aquela com a qual se faz melhor, está reservada para a poesia. Mas essa mão me mataria de fome se eu só a tivesse (risos).

Você tem um blog e parece ser realmente ativo nas redes sociais. É por este caminho que pretende seguir com sua escrita, já que também anunciou este “O Rei do Vento” como seu último livro físico?

Sim, tudo o que eu vier a escrever agora irá para o cyberespaço. Ainda tenho amor pelo objeto livro. Aquele amor de que fala Caetano Veloso na sua canção “Livros”. Mas aos poucos estou perdendo o “amor tátil” pelos livros de papel. Tenho-os traído com amantes virtuais, os tablets, que fazem coisas incríveis como localizar um trecho passado a partir de uma palavra, anotações laterais, aumentar ou diminuir o tamanho da letra... É triste, mas o livro de papel vai acabar. Ou sobreviverá apenas como item de colecionador.

Nos livros ou no cyberespaço, o que é a poesia para você?

Já foi dito que ela é “a arte de dizer o indizível”. Acredito que sua função é a de responder aos anseios do ser humano pelo transcendente, pela beleza, sem qualquer caráter utilitário. Quem definiu muito bem isso foi o poeta curitibano Paulo Leminski: “A poesia é o inutensílio. A única razão de ser da poesia é que ela faz parte daquelas coisas inúteis da vida que não precisam de justificativa. Porque elas são a própria razão de ser da vida”.

Conheça poetc.blogspot.com.br

(Diário do Pará)

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