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Festival desafia artistas à produção rápida

A arte na ponta do pincel e estampada no rosto. É assim que a paraense Moara Brasil vem se apresentando em suas pinturas ao vivo, produzidas com muita inspiração e concentração mesmo diante de diversos olhos curiosos sobre o seu processo artístico.   Moa

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A arte na ponta do pincel e estampada no rosto. É assim que a paraense Moara Brasil vem se apresentando em suas pinturas ao vivo, produzidas com muita inspiração e concentração mesmo diante de diversos olhos curiosos sobre o seu processo artístico.

Moara foi um dos destaques do “Art Battle Brasil”, realizado na cidade de São Paulo, no final de novembro do ano passado, evento que acontece em mais de 30 cidades no mundo e que propõe aos participantes pintar uma tela com tinta acrílica, utilizando o que quiserem: pincel, espátula, stêncil, dedo, desde que seja em apenas 20 minutos.

Sua performance foi tão elogiada que Moara foi parar semana passada no programa “Encontro”, apresentado pela jornalista Fátima Bernardes, onde falou sobre a experiência e, claro, fez uma bela obra em poucos minutos ao vivo para todo o Brasil.

“Foi uma experiência muito bacana. Pude fazer muitos contatos e dar maior visibilidade ao meu trabalho. Com certeza será uma porta para novas oportunidades”, disse Moara, logo após a exibição do programa, já em Belém para passar as festas de fim de ano.

No “Art Battle Brasil” os artistas competem nos cavaletes, pelo voto do público, para mostrar seu talento, e todas as obras são leiloadas no próprio evento, com lance mínimo de R$ 150 e 70% do valor voltado ao realizador do quadro.

“Na primeira vez que pintei assim me senti bastante despreparada, pois foi tudo muito rápido e não havia treinado. Fiquei bem nervosa e me atrapalhei com a troca dos pincéis. Na segunda vez, eu já fui bem mais preparada e consegui fazer uma tela mais ou menos como pensava. Acredito que experiência conta muito para pintar em 20 minutos”, relembra a jovem.

“O trabalho que apresentamos em 20 minutos é apenas uma amostra do que podemos fazer, um esboço do que costumamos desenvolver. Então, quem tiver interesse, vai procurar saber mais sobre a gente e irá procurar nosso portfólio artístico. E tem ainda o leilão das obras por um preço bem acessível. Isso é muito bacana, pois quem gosta de algum artista pode ter a chance de dar o seu lance na festa”, acrescenta.

Inspiração indígena no corpo e na tela

Sem dúvida, a caracterização indígena de Moara chamou a atenção dos organizadores do evento e a ajudou a levá-la ao programa de televisão. Lá, diante das câmeras, teve menos tempo que no evento original, mas apresentou um pouco de sua assinatura artística.

A pintura no rosto foi criada junto com uma amiga e ajuda a destacar Moara em ação, mas não é apenas porque nasceu no Pará que ela acha interessante estar a caráter. A Amazônia e as tradições naturais do nosso país são as inspirações da artista, sobretudo os mitos e lendas.

“Sempre procurei, de alguma maneira, falar sobre a Amazônia nos meus trabalhos. É minha forma política de protestar e de chamar atenção para nossa floresta e suas riquezas. Atualmente, ando estudando os costumes indígenas de algumas tribos e comecei a inseri-los na minha obra. Busco expressar a fantasia e a realidade da fauna e flora amazônicas: animais exóticos, flores fantásticas e cores deslumbrantes despertam a minha criatividade. Transito entre o real e o imaginário”, descreve-se.

Essa inspiração tão regionalista, diz ela, acaba atraindo principalmente olhares estrangeiros. Porém, mais do que uma estratégia de marketing, é um mergulho em busca do autoconhecimento.

“Estou fazendo estudos sobre minhas raízes indígenas, tenho uma família muito mista. Por parte de mãe, meu avô teve uma mãe bem indígena, que se envolveu com judeus espanhóis. Por parte do meu pai também tenho raízes muito fortes, mistura de português com índios da região do Tapajós. Minha família de lá era ribeirinha e bem humilde. Falar da gente, do que é nosso e da nossa identidade, ainda deixa os próprios artistas tímidos.

Muitos não conseguem se expressar, apesar de serem muitos talentosos ainda ficam presos à técnica. Eu tive que aprender a técnica e depois a me soltar e a falar do que mais gosto: a Amazônia”, conta.

Moara se descobriu artista há pouco tempo e já colhe os frutos de seu talento. Ela é formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará e já teve um brechó junto com uma amiga, quando iniciou as experiências com as tintas e pincéis, customizando roupas. Ela acumulou experiências como a criação de uma marca, Loramoara, e participações em mostras e concursos.

“Em 2010, resolvi fazer um curso técnico de Moda no Senai e foi quando participei de um concurso de novos talentos, ganhando em primeiro lugar com a coleção ‘O Miriti’. Sempre gostei de desenhar e pintar, só resolvi mudar de mídia, e então fui para o papel e telas. Quem me ajudou muito a melhorar a técnica foi a professora Catarina Gushiken, da escola Sala Ilustrada de São Paulo”, relembra a artista.

Moara quer expandir sua arte. Ela está se preparando para uma exposição individual no primeiro semestre deste ano e aos poucos integra os trabalhos com a moda.

“Estou voltando aos poucos com a customização de roupas para algumas pessoas que estão me pedindo e a série que estou pintando atualmente para a minha primeira exposição transita no meu universo da moda também, pois tem muito bordado e aplicações nas próprias telas. Não pretendo fazer roupa, mas inserir minha experiência da moda nas telas e customizar roupas que as pessoas não sabem mais como usar ou que simplesmente querem dar uma nova cara”, acrescenta ela, que também quer desenvolver outras técnicas - carvão, folha de ouro e nanquim estão entre os materiais que deverão entrar em seu ateliê. Ela também quer começar a grafitar, e já tem até dois espaços garantidos para expor com esta técnica este ano.

(Diário do Pará)

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