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Felipe Cordeiro se apresenta com Pepeu Gomes

Os álbuns “Kitsch Pop Cult” (2012) e “Se Apaixone pela Loucura do Seu Amor” (2013), de Felipe Cordeiro, responsáveis por ajudar a levar a cena contemporânea da música paraense até o Sudeste, estão de volta. Com um repertório montado com músicas dos dois

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Os álbuns “Kitsch Pop Cult” (2012) e “Se Apaixone pela Loucura do Seu Amor” (2013), de Felipe Cordeiro, responsáveis por ajudar a levar a cena contemporânea da música paraense até o Sudeste, estão de volta.

Com um repertório montado com músicas dos dois discos, o compositor e multi-instrumentista paraense abre sua temporada 2015 de shows e novos projetos, com shows hoje e amanhã no Sesc Pompeia, em São Paulo, o mesmo lugar onde Felipe estreou em palcos paulistas, há quatro anos.

“Será um ano muito legal... Até especialmente legal”, diz Felipe, que hoje mora em São Paulo, e diz que as expectativas para o show são as melhores. Nas duas noites, ele toca ao lado de um convidado especial: o guitarrista Pepeu Gomes, uma parceria que está presente já no nome do show – “Felipe Cordeiro convida Pepeu Gomes”.

“Essa brincadeira de tocar com o Pepeu aconteceu em setembro, no Grand Metrópole, em um show em que subi ao palco com ele e a Gaby Amarantos. Só os dois, vamos tocar muita coisa de guitarra, do repertório dele e do meu”, adianta Felipe, sobre o novo parceiro musical, tido como um dos grandes instrumentistas brasileiros e referência desde a época dos Novos Baianos.

E sendo a guitarra o instrumento de Pepeu Gomes, Felipe diz que além do encontro entre sua sonoridade e a do baiano, o mais curioso é ver o encontro de Pepeu com o pai dele, Manoel Cordeiro, que toca na banda do filho.

“Quando eles tocam juntos, encontram-se duas escolas de música popular brasileira bem interessantes e distintas, duas escolas que começaram e difundiram seus sons na mesma época, em lugares diferentes. Fico ali aprendendo, trocando energia... ele se tornou um amigo bem generoso”, considera.

Do último trabalho, “Se Apaixone pela Loucura...”, o público pode esperar canções essencialmente românticas, como “Saudade de Você” e “Trelelê”, até a história de personagens como a de “Ela É Tarja Preta”. Já de seu “Kitsch Pop Cult”, o público mata a saudade do tom irônico de “Conversa Fora” e da caribenha “Fogo da Morena”, com guitarras de Felipe e Manoel. Repertório divertido e de sonoridade inconfundível.

CONEXÕES

Algo que já vem desde a parceria com pai, Felipe parece há tempos fazer parte desse cenário da música que não vê fronteiras territoriais ou mesmo temporais. No último sábado, ele esteve no programa “Altas Horas”, da TV Globo, cantando “Marcianita”.

A música, uma versão do espanhol, foi lançada no Brasil nos anos 1950 por Sérgio Murillo, e regravada por ele com outro arranjo, mas foi cantada na TV na versão do tempo da Jovem Guarda.

O passeio por regravações e arranjos é visto por ele como positivo. “Ela é da década de 1940, feita no Chile e difundida no Brasil pelo Murillo com esse arranjo que mistura jazz, standard, rock... Despois recebeu uma versão dos Mutantes com Caetano, do Raul Seixas, da Gal, cada um a seu modo... Adoro o arranjo original e é legal quebrar estigmas. Muita gente estranhou eu estar sem guitarra... É bom quebrar expectativa para mostrar que você é livre, que não cabe nos rótulos, que música é música...”.

Ainda no clima de interação imediata com artistas como Jerry Adriany e Eduardo Araújo – também presentes no “Altas Horas” –, Felipe foi chamado por Wanderleia de “a nova jovem guarda”, declaração que divide o músico em duas opiniões:

“Percebo que há uma dificuldade de perceber que a música brasileira é extremamente diversa. A Jovem Guarda foi um rótulo comercial para aqueles artistas trazendo o rock internacional para o Brasil. E ao mesmo tempo, fiquei feliz pra caramba de ser chamado assim pela Wanderleia, de estar ali e me sentir parte daquele grupo”, declara.

DVD

A agenda do cantor ainda deve englobar muitas novidades, músicas e parcerias. Quando Felipe Cordeiro diz que 2015 será um ano “especialmente legal”, é porque já planeja a produção, gravação e lançamento de seu primeiro DVD.

Ao lado do cineasta paraense Vladimir Cunha, a pretensão é realizar um verdadeiro documentário a partir de um show em Belém, ainda sem data marcada. “Quero mostrar nosso olhar narrando esse acontecimento dos últimos anos, esse emergir da música do Pará no cenário nacional. Mostrar a cena contemporânea e suas conexões”, explica o músico.

Nesse intuito de falar das conexões com a música de diversas partes do país, o DVD deve explorar a ida de Felipe para São Paulo, e mesmo as parcerias estabelecidas antes de o músico mudar-se “de mala e cuia” para a capital paulista.

Isso abre a possibilidade de participação no DVD tanto de artistas paraenses quando de convidados do eixo Rio-São Paulo, Bahia e Recife. Sem impossibilitar também o encontro de gerações, que já é marca de seu trabalho.

(Diário do Pará)

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