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Caminhos a serem sentidos

O historiador e fotógrafo Michel Pinho também preparou um presente para a cidade hoje, antecipando o aniversário de Belém com um roteiro turístico especial. Acompanhado por intérpretes de linguagem brasileira de sinais e audiodescritores a narrar a paisag

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O historiador e fotógrafo Michel Pinho também preparou um presente para a cidade hoje, antecipando o aniversário de Belém com um roteiro turístico especial. Acompanhado por intérpretes de linguagem brasileira de sinais e audiodescritores a narrar a paisagem, deficientes visuais e auditivos poderão conhecer o melhor do centro histórico em um passeio aberto a qualquer interessado. O objetivo é uma Belém mais acessível, com sua história contada de forma que todos entendam.

O roteiro parte do Forte do Presépio, às 8h30, um início simbólico. A construção localizada às margens da Baía do Guajará marca o local onde, em 12 de janeiro de 1616, uma expedição comandada pelo português Francisco Caldeira de Castelo Branco chegou à Amazônia e fundou a capital paraense. “O projeto tem – desde quando ainda não incluía as opções de acessibilidade – o objetivo da construção imagética de uma Belém do passado, revivendo a arquitetura colonial e outros aspectos”, explica Pinho.

O ponto seguinte a ser visitado é a Rua Siqueira Mendes. Um dia chamada pelos colonizadores de Rua Norte, ela foi a primeira via aberta na cidade e tem ao longo de seu percurso prédios de valor cultural, como a Casa Rosada. Chegando ao Largo do Carmo, será abordada toda a história que o cerca, como a Igreja do Carmo, de 1636, a primeira da cidade e da Amazônia. “Vamos dar destaque a detalhes como o azulejamento das casas, suas platibandas e as modificações feitas na Praça do Carmo”, diz o historiador.

Aos que não puderem ter esse contato pelos próprios olhos, a audiodescrição de Aline Corrêa ajudará, dando detalhes de importantes pontos da caminhada, como o Palácio Velho, a Igreja da Sé e o monumento em homenagem ao General Gurjão, primeiro paraense a chegar ao posto de general e herói da Guerra do Paraguai.

“Queremos iniciar em Belém a audiodescrição desde já, para que ela seja mais frequente nos roteiros que já existem e nos que venham a ser realizados. Para que a cidade chegue a seus 400 anos contemplando as necessidades das pessoas com deficiência, de ter acesso ao seu centro histórico e a eventos culturais”, declara Aline, ao se ver participando pela primeira vez do projeto.

O historiador conta que estas visitas monitoradas pelas ruas da cidade foram uma iniciativa sua, nascida há mais de dez anos dentro das escolas onde trabalha. “E desta vez o objetivo é comemorar o aniversário de Belém e fazer com que as pessoas encontrem a história da cidade através de novas percepções”.

(Diário do Pará)

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