O “Baile do Havaí”, do Iate Clube, o “Inferno Verde”, do Automóvel Clube, e o “Baile do Pierrô”, do Clube do Remo hoje são boas lembranças de um carnaval que em Belém quase não se vê mais, o dos bailes de salão.
Era o carnaval promovido pelos diversos clubes sociais da cidade, feitos com foliões fantasiados de marinheiros, ciganas e Carmem Miranda. Isto lá nos anos 1940 a 1960.
Atualmente, um dos poucos a manter a tradição é o Grêmio Literário Português, que neste sábado realiza o “Baile Vermelho e Verde”, com atrações de peso para não deixar ninguém parado: um show da cantora Daniela Mercury, com participação da banda Fruta Quente.
O nome do evento vem das cores do próprio clube, explicam os organizadores, e mantem-se como “nos velhos tempos”, oferendo ao público um carnaval feito de marchinhas, máscaras e fantasias.
O baile é promovido no Salão de Eventos do Grêmio Português, tornando-se também uma opção para quem quer pular carnaval sem sair da cidade. A cantora baiana Daniela Mercury, chega para esta folia com a turnê “Canibália - Ritmos do Brasil”, cheia de diversidade de ritmos.
O axé music se mistura ao samba, ao reggae, samba-reggae e boi-bumbá, além de muitas outras vertentes. E não é só música que a cantora baiana pretende trazer, mas um espetáculo de balé, pois carnaval se faz também de dança.
O público pode ensaiar os versos de “O Canto da Cidade”, faixa-título do álbum de 1992, que consagrou a cantora baiana em território nacional. Faz 20 anos que Daniela Mercury é a cor e o canto do Brasil e vem a Belém compartilhar toda essa explosão que é o carnaval guiado por sua voz.
A música “O Canto da Cidade” já seria o suficiente para deixar foliões em alvoroço, mas neste show, Daniela Mercury irá além. Ela deve resgatar ainda muitos sucessos de sua carreira e integrá-los a outros grandes nomes da música. Isso ocorre, por exemplo, com a canção “Swing da Cor”- samba-reggae que catapultou a cantora ao estrelato nacional em 1991 - introduzido ao repertório junto a uma citação de “Tropicália”, canção de Caetano Veloso.
Em dueto virtual com Carmen Miranda (1909 – 1955), ícone dos carnavais brasileiros dos anos 1930 aos 1950, no samba “O Que É que a Bahiana Tem”, de Dorival Caymmi, ela trará ao palco do Grêmio Português a verdadeira folia popular brasileira.
Após o show “Canibália”, a festa continua com o ritmo bem paraense já conhecido pelo lado de cá: a banda Fruta Quente. Seus integrantes prometem fazer todo mundo dançar com os mais variados ritmos de carnaval e com seu repertório, sucesso nos anos 1990, e que ainda anima a folia belenense.
“Estamos preparando um show bem animado, baile de carnaval tem que tocar coisas alegres. Até porque vamos entrar depois da Daniela Mercury, que é um grande show. Teremos que segurar na mesma linha de show dela, bem pra cima!”, adianta o percussionista da banda, Otávio Gorayeb.
O show seguirá também pelos clássicos da banda, do romântico às quadrilhas juninas, além de algumas canções do novo trabalho do Fruta Quente, o CD “Só no Love” (2014).
“Já há anos que a gente toca em lugares como a Assembleia Paraense, o Pará Clube e o baile do Grêmio Português. Foi muito legal na época que podíamos pôr o carnaval na rua, nos trios, mesmo fora de época. Claro que dá saudade do antigo carnaval de Belém”, completa Gorayeb.
E a banda é mesmo íntima do carnaval, já tocou em várias casas noturnas de Belém que hoje não existem mais, e participou de micaretas como o “Carnabelém”, além ter tido durante um bom tempo seu próprio bloco, o “Filhos da Fruta”.
Então, se for para reviver os tradicionais bailes dos clubes sociais, o Grêmio Português prova que sabe como manter a tradição trazendo um time de peso.
(Diário do Pará)
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