Tapioqueiro! Olha, a tapioca molhadinha! Com coco ou sequinha!”. “Copaíba e mel de abelha! Mel de abelha e andiroba!”. “Peixeirooooo!”. Os famosos pregões gritados nas ruas pelos vendedores ambulantes já quase não fazem parte da nossa rotina. Mas de vez em quando ainda nos pegam desavisados pelos bairros de periferia e fazem lembrar de uma Belém com cara de cidade pequena.
É nessa tradição que os músicos Allan Carvalho e Cincinato Marques, a dupla do Quaderna, foram beber para criar o CD “Pregões, a Melodia das Ruas”, que lançam hoje da forma mais do que adequada: cantando suas músicas no meio do Ver-o-Peso, com um show aberto.
Será a chance de ouvir amplificados os sons da pesquisa musical de Allan e Cincinato, que partiram pelas ruas de bairros de Belém, como a Cremação, o Guamá, o Jurunas, a Matinha, a Cidade Velha e Campina, e também por cidades do interior, levando consigo gravadores caseiros para registrar as vozes dos pregões, que Allan define como “jingles populares ecoados ao ar livre”.
Foram quatro anos de pesquisa que inspiraram as 12 faixas do CD, indo do carimbó à lambada, quadrilha, xote, cúmbia e reggae. O trabalho começou com uma bolsa de criação do Instituto de Artes de Pará, e ganhou fôlego ao participar do Tanque de Ideias do Festival HotSpot, até render as canções com letras inspiradas nos pregoeiros.
“Trata-se de um experimento de compor mirando os pregões, ou uma maneira de reviver, pelas canções, a história desses personagens ambulantes, que, de uma forma ou de outra, representam um perfil de uma época, de um povo, a cara da cidade”, diz Cincinato Jr.Com trabalhos independentes, Allan Carvalho e Cincinato Jr. uniram-se nas pesquisas do Quaderna em 2003.
O primeiro CD foi lançado em 2006, com um registro da influência da cultura nordestina na Amazônia, principalmente no Pará, um trabalho que levou o ‘‘Destaque Regional’’ do Prêmio Dynamite (SP) em 2008. Eles também fizeram a trilha sonora dos cinco documentários da série “Barcos da Amazônia’’.
(Diário do Pará)
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