“É verdade, o amor é brega/ Escovando os dentes de manhã/ Na janela/ O amor é brega como o pão saindo da padaria/ E o vestido mal cortado/ Da Paraíba/ Baby, love is pop, e pop é brega”, já dizia Cazuza. E se Aíla é pop, ora, ela também pode ser brega. Enquanto seu segundo CD não chega, a cantora paraense, há um ano morando em São Paulo, tem apresentado por lá um novo show, que empresta o nome da canção de Cazuza - “O Amor é Brega” - e faz um passeio pelo romantismo da música brega interpretada por ícones de diversas regiões do país. Tudo isso em parceria com a artista visual paraense Roberta Carvalho, que projeta o percurso visual do show, cheio de cores e sentimentos.
“O Amor é Brega” estreou no último dia 22, em Ribeirão Preto (SP), já com aprovação total do público: se tornou um momento para as pessoas cantarem junto, para os casais dançarem, para fazer declarações de amor. São 15 músicas no repertório, e ainda poemas e interferências sonoras. “Ele tem um apelo que mexe com o imaginário, o inconsciente coletivo, pois são grandes nomes do brega brasileiro, como Roberto Carlos e Reginaldo Rossi. As pessoas se identificam”, diz Roberta Carvalho.
Já entre os compositores paraenses, não podiam faltar Alípio Martins e Wanderley Andrade. “O Alípio, escolhi não só pelo brega, mas pela lambada. Ele foi muito importante para a música romântica paraense. Já o Wanderley é o cara do brega mais moderno, que flerta com o tecno. A música dele ‘Conquista’ ganhou nova versão de letra mais falada, poetizada. Ainda peguei algo de Dona Onete. Não que a música dela se encaixe no gênero, mas por ter sido a cantora que gravou pela primeira vez e por suas letras serem muito românticas, de diálogo meio brega”, diz Aíla.
A intenção da cantora é fazer do show algo flexível, já que após a pesquisa para o repertório, muita coisa ficou de fora. “Pensamos em sempre colocar coisas novas”, adianta. E mesmo sem ter nenhum novo show agendado, ela acredita que o projeto tem tudo para seguir adiante e , quem sabe, logo chegar a Belém. “Foi engraçado, quando eu pegava o violão e ficava ensaiando em casa, parentes e amigos que estavam por lá sempre diziam: ‘essa música fez parte da minha história’. Percebi as pessoas cantarolando ao meu redor em casa. É um repertório muito fácil de ser compreendido”, diz Aíla.
E esse processo é completado pelas imagens que se relacionam com todas as músicas do repertório e permeiam o espetáculo. “Existe uma narrativa visual. São imagens que produzi pensando em cada momento do show. Tem algumas coisas que filmei, algo que fui produzindo, imagens em baixo d’agua e afins”, conta Roberta Carvalho.
É possível que Aíla chegue por aqui com “O Amor É Brega” antes da chegada do seu novo CD, previsto para o segundo semestre. “Ainda estou imersa no momento de compor, ouvir sonoridades que quero para o CD, algo de eletrônico misturado ao orgânico, processo de pesquisa e composição, fechamento de repertório... até março devo estar nisso, é um trabalho bem extenso”, diz a cantora. Enquanto isso, ver o retorno de Aíla com o show, já seria um excelente aperitivo antes do segundo álbum.
Conheça
www.ailamusic.com
(Diário do Pará)
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