Quem foi criança nos anos 1980 ainda deve se lembrar de um chocolate vendido em barra, que vinha com um desenho em autorrelevo sempre de um bicho diferente e trazia como brinde, encaixado na embalagem, um card com uma foto belíssima do tal animal e, no verso, uma espécie de “ficha técnica” com um resumo dos dados científicos mais básicos sobre a espécie. O produto era uma febre que alimentava coleções, trocas sem fim e disputas de momento, como uma versão “Supertrunfo”, em que a gente batia item a item e, a partir de critérios meio sem critério, contava pontos para ver qual era o animal que ganhava o embate.
Era uma brincadeira, sem nenhum objetivo didático. Mas era assim, tentando livrar os charmosos cartõezinhos de dedos melecados de chocolate e dos subsequentes ataques de formigas, que a gente ia aprendendo uma coisinha aqui e ali, como o tamanho do Tiranossauro Rex (ok, esse não tinha foto, era ilustração, de uma das séries mais legais, sobre dinossauros), dados sobre um distante esquilo, ou sobre algo assim mais pertinho da gente, como o tatu - mesmo que saber que os tatus se alimentavam de insetos não aplacasse o medo de quem tinha como vizinho um furioso (pasmem!) tatu de apartamento. No final, aquilo acabava aguçando a curiosidade infantil por descobrir informações e textos sobre aquela natureza selvagem.
A memória resgatou essa referência depois que o Museu Paraense Emilio Goeldi, centenária instituição de pesquisa paraense reconhecida internacionalmente, anunciou um projeto muito simpático, voltado para um trabalho educativo e de aproximação com o público além dos muros da academia. Vai lançar esta semana uma série de reportagens especiais sobre alguns animais que vivem soltos no Parque Zoobotânico da instituição, com dados sobre cada espécie e um mimo extra que vai fazer brilhar os olhos não só das crianças – projetos de miniaturas em papel em arquivos digitais que estarão disponíveis para download, com instruções de montagem, para se transformar em charmosos mascotes.
A série é composta por 15 espécies de mamíferos, répteis e aves que vivem fora do cativeiro e circulam livremente pelo parque da avenida Magalhães Barata. A primeira matéria da série, “Viva a Fauna Livre”, será apresentada quinta-feira, 5, no site do Goeldi na internet e também nas contas da instituição no Facebook e no Twitter. A cada quinta-feira de fevereiro, uma nova reportagem será lançada, o que já cria aquela expectativa sobre a novidade que vem a seguir. Como no antigo chocolate.
Goeldi estreita diálogo com público.
Para conhecer melhor a fauna livre.
ACOMPANHE
Série “Viva a Fauna Livre”, com reportagens e miniaturas em papel
Quando: Todas as quintas-feiras de fevereiro
Onde: museu-goeldi.br/portal, facebook.com/museugoeldi, e no Twitter @museugoeldi.
(Diário do Pará)
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