O Carnaval chega novamente antecipado para as oito escolas de samba do Grupo Especial de Belém. Elas se apresentam hoje, a partir das 20h, na passarela do samba, a Aldeia de Cultura Amazônica Davi Miguel, na Pedreira, uma semana antes do feriado, para garantir arquibancadas cheias e um belo espetáculo na avenida. Assim que terminou o carnaval 2014, começaram os preparativos para este, que chega prometendo inovações e muita alegria para os foliões belenenses. “Todas já estão muito bem preparadas, prontas para competir de igual para igual”, anuncia Fabrício Gama, presidente da Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial.
O desfile oficial começa com a Associação Carnavalesca Xodó da Nega, que foi a escola que subiu para o grupo especial. Ela leva para a avenida o enredo “Negra África – Negra, A Raça da Mulher Guerreira”. “Vamos falar da liberdade, da construção da resistência negra vinda das guerras e guerrilhas que ocorreram no Congo (atual Angola), destacando as personagens femininas de relevância no Brasil”, destaca Antônio Ferreira, porta-voz da escola. A bateria inova ao trazer instrumentos percussivos de origem africana, como o afoxé e o agogô.
Em seguida, será a vez da Associação Carnavalesca A Grande Família. “Imagine tudo aquilo o que fazia você feliz na infância, é isto que iremos levar para a avenida”, avisa Teo Mascate, presidente da escola. O enredo é “Faz de Conta – Esse Mundo Maravilhoso Infantil” e será permeado por brinquedos e personagens amados por crianças e adultos, como a Mônica, o Cebolinha e o Cascão, de Mauricio de Sousa. Das fantasias é aguardado muito colorido. “Queremos que nesse carnaval todo mundo se torne criança”, completa.
A Associação Carnavalesca Bole-Bole chega fazendo uma bela homenagem ao banguê, ritmo trazido pelo negros ao Pará, através do enredo “Sambanguê-Bumbá: É Festa na Pedreirinha do Guamá”. A agremiação aproveita para saudar o Boi Malhadinho, famoso no bairro, e o grupo de carimbó Caldo de Turu. “A Pedreirinha é o berço da cultura guamaense e por isso acreditamos na força do nosso samba-enredo, guardando ainda algumas surpresas para o público e os jurados”, reforça Paulo Alcântara, presidente da Bole-Bole.
Já o Grêmio Recreativo Esportivo Social Piratas da Batucada vem com o enredo “Acará 140 Anos - Nesta Festa Vou Celebrar”, que homenageia o município paraense e seu desenvolvimento dos últimos anos, com samba de Fabrício Monteiro, Diego Trindade e Dito Reis. “Vamos chegar trazendo fantasias diferenciadas e alegorias bem criativas. Queremos mostrar aos jurados todo o resultado de um trabalho coletivo e focado em fazer um grande carnaval”, declara Jamil Mouzinho, diretor de carnaval da Piratas, avisando que uma ala foi reservada exclusivamente aos moradores do Acará.
O Rancho não Posso me Amofiná, mesmo sofrendo uma baixa significativa na última quinta-feira, com a perda de seu grande mestre de bateria Zé Roberto Teixeira, chega com garra para ganhar mais uma edição do carnaval de Belém. A homenageada é a Assembleia Paraense, que chega ao posto de instituição centenária. O enredo “Saga Cinco Estrelas Bordada A Ouro Pelo Tempo” traz confiança aos carnavalescos. “Vamos levar para a avenida algo à altura da Assembleia, uma instituição reconhecida em todo o Brasil e de grande força no Pará”, diz Jango Vidal, presidente da escola jurunense.
A Embaixada de Samba do Império Pedreirense entra com a grande responsabilidade de tentar o bicampeonato. “A Coroa do Império no Batuque da Pedreira” é o tema que visa se destacar na avenida. “Neste enredo, a Embaixada bate forte no repique, no tamborim, na caixa e no surdo. Vamos trazer o amor por essa história de resistência e sobrevivência do povo negro que, como todas as culturas afroamazônicas, também nasceu dos terreiros, cresceu na coletividade e solidariedade como um Maracatu do Subúrbio”, destaca a presidente Help Luna.
A Escola de Samba da Matinha aposta nos encantos do Marajó para conquistar os jurados. Seu enredo é “Mibaraió – A Encantadora Ilha do Marajó”, samba de autoria de Alcyr Guimarães e Ademir da Marcação. A cerâmica marajoara, a fauna e a flora da ilha são alguns dos aspectos retratados por suas alegorias. Entram nos destaques da Matinha dois casais de mestre-sala e porta-bandeira, além da porta-estandarte intitulada “A Borboleta Azul” – nome que já deixa o público na expectativa para ver muita beleza no desfile da escola.
A Associação Cultural Recreativo Carnavalesco Império de Samba Quem São Eles fecha o desfile, provavelmente já no clarear da manhã de domingo, 8, com o tema “Rio Abaixo, Rio Acima, No Amazonas Vamos Navegar”. O presidente da escola, Luis Omar, lembra que o Amazonas não é só o maior rio em volume de água, mas o maior em extensão de nossa região e que merece ser homenageado. “Quando se fala em Amazônia, se representam muito a fauna, a flora e parece que não é lembrado que boa parte do território é feito de rio, de água”, completa.
(Diário do Pará)
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