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Evento homenageará aniversário de Bob Marley

“Eu vejo que para muitas pessoas o reggae é como uma religião. Nesse contexto, eu diria que Bob Marley figura como o Papa dessa religião”, afirma o músico Maurício Vale, 25. Reunido com outras 11 pessoas, ele ajuda a planejar um grande tributo ao ícone no

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“Eu vejo que para muitas pessoas o reggae é como uma religião. Nesse contexto, eu diria que Bob Marley figura como o Papa dessa religião”, afirma o músico Maurício Vale, 25. Reunido com outras 11 pessoas, ele ajuda a planejar um grande tributo ao ícone no reggae no próximo dia 17 de maio, na Praça Waldemar Henrique. O evento, realizado nos últimos 17 anos, ganha força ao celebrar os 70 anos do nascimento de Bob Marley, ocorrido em 6 de fevereiro de 1945, em Nine Mile, uma vila situada na paróquia de Saint Ann, na Jamaica.

A vila jamaicana, inclusive, tornou-se mais uma prova do quão importante ainda é a figura do músico mesmo passados tantos anos de sua morte. O local é totalmente conduzido por sua família e há visitas guiadas por rastafáris à sua antiga casa. Perto dali, pessoas também visitam todos os anos o Monte Zion Rock, antigo local de meditação de Bob Marley e o The Pillow – mencionado na canção “Talking Blues”. “Acredito que o que mais atrai as pessoas em torno das músicas e da figura de Bob Marley é a própria personalidade dele”, considera o advogado Roberto Pinheiro, 58.

“Ele teve que lutar para chegar a ser uma das personalidades mais conhecidas do mundo e, assim, ensinou as pessoas a acreditarem em suas próprias ideias e a lutar por elas. E esta é apenas uma de muitas lições”, completa o advogado e fã de Bob Marley. Boa parte da obra do jamaicano denunciava os problemas trazidos pela pobreza e o preconceito racial, enquanto mostrava mundo afora o movimento rastafári e suas ideias de paz, irmandade, igualdade social, preservação ambiental, resistência, liberdade e amor universal.

“A mensagem que ele passa em suas músicas é o que mais me impressiona. São atuais e a grande beleza está no fato de ter encantado tantas pessoas ao redor do mundo, ter feito tantas pessoas se identificarem com estas letras”, diz o operador Odinel Guedes, 39. E a empatia pelas músicas pode ir além. “Apesar de estar em outra língua, que você não entenda, elas te tocam, te dão a sensação de paz e liberdade cantada”, diz o gráfico Júnior Jesus, 36.

As músicas mais conhecidas são “I Shot the Sheriff”, “Could You Be Loved”, “Redemption Song”, “One Love/People Get Ready” e “No Woman, No Cry”, que chegou a ganhar versões de artistas de diversas partes do mundo, incluindo o brasileiro Gilberto Gil. A coletânea “Legend”, lançada três anos após a morte do ícone é o álbum de reggae mais vendido da história. “É difícil dizer como ele conseguiu chegar aonde chegou, vindo de um lugar tão simples e distante. E por que nunca houve outro como ele, antes ou depois de sua passagem pela música. Acho que ele já nasceu com uma estrela sobre a cabeça”, declara Maurício.

E mesmo a figura do músico sendo tão popular e rentável dentro da cultura pop, os apaixonados pelo reggae dizem que jamais o lado comercial propiciado pela força da imagem de Bob Marley ficará à frente da mensagem que ele deixou. “Os fãs jamais permitirão isto”, declara Roberto. Ainda assim, admitem, não há como fugir de certo fanatismo. “Já conheci músicos que queriam formar uma banda para tocar reggae, mas disseram que só quando o cabelo crescesse, pois era assim que Bob Marley usava o cabelo devido as orientações do movimento rastafári”, conta Maurício.Após a morte do músico, a data de seu aniversário foi decretada como feriado nacional na Jamaica. Ao redor do mundo ele ganhou fama que pode ser comparada a outras duas figuras da música, John Lennon e Elvis Presley. Ainda assim, seus fãs preferem não compará-lo a ninguém. “A importância e destaque dele está no fato de ter sido um grande representante das pessoas oprimidas. Mesmo hoje o reggae sofre preconceito por ser visto como um ritmo que tem suas origens nestas pessoas e na cultura africana. Ao mesmo tempo, o reggae é o que reforça a luta contra essas questões”, defende Odinel Guedes.

(Diário do Pará)

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