O espaço é novo na cidade, e já inspira arte por ser um belo casarão no bairro da Campina, centro histórico de Belém. Seus idealizadores pensam o mesmo - o fundaram com o intuito de reunir artistas e amantes das artes, de reviver a alma boêmia e artística desta área urbana.
“Essas ruas já foram de grande valor cultural para os belenenses. Fundamos este espaço para dar novo significado a elas, para ajudar a acabar com o estigma de bairro perigoso”, diz Tati Brito, produtora e idealizadora do Casulo Cultural.
O casarão era antes um depósito de colchões e foi aberto no finalzinho de dezembro, como um projeto totalmente independente. A ideia é que ele seja um espaço multifuncional, para arte, cultura e educação, e por enquanto abrirá esporadicamente, para eventos específicos, sempre de forma coletiva e colaborativa. “Estamos ainda fechando alguns parceiros. Inclusive estamos abertos a propostas de pautas. Agora no final de fevereiro, começaremos a fazer oficinas”, adianta Tati.
Recentemente, o espaço trouxe Moara Brasil – artista paraense radicada em São Paulo – para fazer uma intervenção artística na fachada do casarão, numa noite com VJs, DJs e performance. “Encontrei um público diversificado e muito interessado em arte, bastante jovem. Isso é legal, indica que haverá uma continuidade, e que ainda pode surgir muita coisa por aí”, comenta a artista.
Moara elogia o espaço escolhido para abrigar o Casulo. “É bom ver um prédio histórico e cultural ganhando novamente valor através da arte. Seria ótimo se todo o centro da capital fosse ocupado dessa forma, ao invés de vermos tantos casarões abandonados”, lamenta.
A paraense não vinha a Belém há dois anos, e volta como uma artista que vem se destacando no cenário paulistano, como sua participação no Mercado Mundo Mix, evento multicultural que apresenta novos talentos, ideias e tendências nas artes. Ela aproveitou a oportunidade no Casulo para fazer uma prévia de um novo projeto que iniciará em São Paulo, o “Conexão Raízes”, e que está intimamente ligado a essas novas tendências.
“Ele funciona como um coletivo para divulgar nosso trabalho. E os trabalhos colocados à mostra são completamente ligados às raízes de cada um. O diferencial é que o próprio comprador da arte vai ter conexão com o artista. Não vai ser como uma galeria comum”, apresenta Moara. A inspiração para esta nova forma de entrada no mercado de arte veio de países como a Inglaterra, onde as pessoas têm comprado obras de arte muito mais pela história do artista e suas inspirações, do que apenas pelo objeto.
No caso de Moara, sem dúvida, sua ligação com a Amazônia, para onde os olhos do mundo se voltam, é o que virá como grande referência dentro deste novo projeto ligada às raízes
Atualmente, Moara é aluna da renomada artista paulista Catarina Gushiken, através de quem encontrou sua paixão pelas artes, a princípio com a ilustração. Os rumos de sua atuação mudaram quando a artista teve a oportunidade de ir a uma tribo indígena dos Assurinis, próximo a Tucuruí. Interessada em seus costumes e formas de cultura e arte, ela conheceu seus grafismos.
“Eu mesma tenho herança indígena. Santarém, onde nasci, tem muitos povos indígenas vivendo próximos também, então é algo que sempre tive vontade conhecer de perto. O grafismo indígena era algo que eu via como abstrato. Nessa visita, aprendi a simbologia de cada traço, isso foi inspirador. Aprendi que cada um fazia referência a animais, plantas, sementes e tantas outras coisas. Acho que minha vontade de trazer isso para minha produção artística acabou sendo uma questão de resgatar isso”, diz Moara.
Esse olhar sobre a arte indígena, a artista trouxe para a série que será exposta pelo projeto “Conexão Raízes”, dia 25 de junho, em São Paulo. A prévia deixada por ela nas paredes do Casulo Cultural “traz um grafismo que remete às escamas do jacaré”, detalha.
O casarão continua com a obra pintada próxima à porta de entrada para todos que passam pela esquina, da travessa Riachuelo com a Frutuoso Guimarães possam apreciar. O coletivo ainda está selecionando outros artistas para integrar sua primeira mostra. Além de Moara, outro nome confirmado é do ilustrador mineiro Saturnino Rodrigues, o Sattu, com um traço que frequentemente aparece em revistas nacionais.
(Diário do Pará)
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