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Professor aborda amor e erotismo em Guimarães Rosa

Guimarães Rosa nasceu no início do século passado e publicou seus livros entre as décadas de 1940 e 1960. Mas sua obra permanece atual e continua sendo objeto de estudo de especialistas em busca de entender e analisar melhor o que ele escreveu. Professor

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Guimarães Rosa nasceu no início do século passado e publicou seus livros entre as décadas de 1940 e 1960. Mas sua obra permanece atual e continua sendo objeto de estudo de especialistas em busca de entender e analisar melhor o que ele escreveu. Professor de literatura brasileira da Universidade de São Paulo, Luiz Dagobert de Aguirra Roncari é um desses apaixonados pela escrita do mineiro e tem vários livros dedicados à análise da prosa de Guimarães Rosa. A novela Buriti, parte do livro “Corpo de Baile”, escrito por Rosa em 1956, é um dos trabalhados analisados por Roncari, que demonstra que Rosa usa seus livros para abordar assuntos que ainda hoje permeiam a nossa realidade. Em passagem recente por Belém , o pesquisador concedeu entrevista ao Você.

Na sua visão, Guimarães Rosa ainda é um dos maiores romancistas do Brasil?

Sem dúvida ele é um dos grandes e maiores prosadores do Brasil, que está à altura de Machado de Assis, Mário de Andrade, Graciliano Ramos. Ou seja, um homem que vale a pena sempre ser lido. Existem alguns autores que se esgotam com seu tempo, mas não é o caso de Guimarães Rosa. Ele continua cada vez mais vivo.

O que existe nos livros de Guimarães Rosa que é capaz de conquistar o público? Com que temáticas os leitores continuam se identificando?

Os livros dele têm temáticas como a relação entre mito e história, entre sertão e civilização, a questão do erótico, uma concepção muito própria que ele tem do amor e da vivência amorosa, a forma de tripartição que se vive o amor no Brasil: o sexual, o erótico e o elevado. Ele trabalha com temas que são universais, mas, ao mesmo tempo, tendo muita consciência da particularidade de como os sistemas são vividos em uma sociedade como a brasileira, que é patriarcal, muito desigual e injusta.

O que chama mais a sua atenção?

A concepção amorosa e do poder que ele explora em seus livros é algo que tem me chamado atenção. Além disso, sua concepção do Estado e principalmente a importância que tem pra ele o conceito de justiça, que seria aquela capaz de impedir a violência e a vingança. Para ele, e essa ideia é muito expressa em “Grande Sertão: Veredas”, aonde não existe justiça, existe vingança, e aí a violência predomina. É muito forte para ele a ideia da vida civilizada, mas como a violência e a agressividade são partes da vida brasileira, ele não poderia deixar de retratar essa busca de vingança.

Para os leitores que não conhecem a novela “Buriti”, que faz parte do livro “Corpo de Baile”, do que ela trata?

Buriti é uma novela erótica e nela vamos ver que existe uma forma de amor, que é o amor humano, que não é aquele que compartilhamos com os animais, que é o amor sexual, nem tampouco o amor elevado e idealizado, mas o amor que se vive de corpo e alma, nem só de corpo e nem só de alma. Esse amor pode e deve se transformar num amor essencialmente humano, que é uma arte, que o homem pode aprender a tirar prazer desse amor que é culto, ou seja, não é dado ou espontâneo apenas, mas que é trabalhado como arte. Tudo que é feito pelas mãos dos homens se torna cultura, então, o amor também pode ser trabalhado como uma arte, a arte amorosa.

Quais as semelhanças e relações da narrativa de “Corpo de Baile” com o famoso “Grande Sertão: Veredas”?

Justamente esse viver o amor de forma tripartida: o sexual, erótico, o humano e o elevado, idealizado. Ao invés de se procurar reunir essas três possbilidades amorosas em uma relação só, no Brasil, ela se triparte. Ou seja, o homem tem uma mulher que é para casar, uma amante onde ele vive o amor sexual, e um amigo íntimo para falar mal das duas, em uma relação mais comunicativa e humana.

(Diário do Pará)

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