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Prêmio de fotografia busca o tempo e o movimento

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia já nasceu com a proposta de ser um projeto que tem a fotografia como eixo, mas dentro de um campo maior da arte. Não que isto fosse propriamente uma novidade. Ele veio para dar destaque ao pensamento que já era

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O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia já nasceu com a proposta de ser um projeto que tem a fotografia como eixo, mas dentro de um campo maior da arte. Não que isto fosse propriamente uma novidade. Ele veio para dar destaque ao pensamento que já era desenvolvido por novos artistas e dar oportunidade aos já renomados de reverem a imagem fotográfica. Este novo olhar veio através do encontro com outros suportes, outras linguagens, no que há por trás do click da câmera: sua história e capacidade de despertar emoções.“Para nós, o mais importante é que o trabalho tenha um discurso, que ele tenha nascido de uma reflexão.

A imagem em si pode ser este discurso, como quando o artista constrói uma série baseada em um lugar que ele sempre visita. Já tivemos edição com um trabalho sonoro, era objeto e texto e você ouvia, através de um fone, histórias que remetiam à imagem”, diz Klautau Filho, curador do prêmio. Entre os artistas que hoje trabalham com a fotografia como eixo, existem aqueles que a pensam casada com a ideia de espaço, ampliando seus projetos para instalações e outros suportes além do papel. Alguns reúnem imagens estáticas para depois colocá-las em movimento através da linguagem audiovisual.

E há ainda os que se dedicam exclusivamente às formas de compartilhamento de imagens como meio de reflexão sobre elas.“De modo geral, as pessoas se identificaram com esta proposta. Mas também se você toma contato com o edital ele já propõe diretamente isso, diz claramente que tem uma intenção da fotografia no campo da arte e que aceita suportes diferentes. O que foi almejado por nós ao criar o prêmio acabou dialogando com o que já vinha circulando nas diversas capitais brasileiras, talvez por isso ele tornou-se tão facilmente um concurso nacional”, comenta o curador.

NOVOS NOMES

Ao mesmo tempo em que o Prêmio Diário acumula artistas jovens entre seus selecionados e que ao longo dos anos ficaram conhecidos no cenário nacional, artistas que já eram conhecidos procuram também o prêmio desde sua primeira edição. Klautau Filho cita a participação de Pedro David, premiado fotógrafo mineiro; Sophia Borges, de São Paulo, e José Diniz, do Rio de Janeiro, também com carreiras reconhecidas, além do paraense Alberto Bitar, que já tinha passado pela Bienal de São Paulo. Já da nova geração que se integrou ao prêmio, segundo o curador, um entre muitos casos que merecem destaque é o da fotógrafa Roberta Carvalho. “Ela foi premiada em uma das edições e partir daí ganhou espaço muito grande no Brasil, esteve no Festival de Paraty, depois na Espanha.

Seu trabalho com a projeção de imagens em árvores finalmente ganhou o destaque que merecia”, comenta. Ele supõe que o atrativo para todas estas gerações da fotografia está no incentivo à reflexão sobre a linguagem fotográfica.Na 6ª edição, o prêmio traz o tema “Tempo Movimento”, na verdade um convite ao diálogo, defende Klautau. “A cada edição a gente traz mais do que um tema, uma proposição. Em ‘MemÓrias da Imagem’ se discutiu o que seria essa memória relacionada à fotografia; em ‘Cultura Natureza’, o que seria esta natureza. Então sempre tem uma proposição para ele (artista) pensar”.

O tema desse ano partiu de uma questão muito “simples”, mas que o prêmio toma como um problema a ser debatido.“Muitas vezes se atribui à linguagem fotográfica a ideia do instante que já passou. Ao mesmo tempo, esse tempo que já passou está agindo ali na tua percepção, quando entras em contato com a imagem.

É um pouco como a metáfora da memória. Por que a gente vê uma fotografia antiga, que nada tem a ver com nossos familiares, mas aquilo desperta uma emoção na gente? Então, no momento que você entra em contato, ela está ativando várias camadas do tempo”, diz o curador.Outra questão a ser pensada dentro da nova temática é que não é porque estão estáticas que as imagens não transmitem movimento. “Às vezes você não trabalha com o suporte do vídeo que é movimento, mas você pega uma câmera que fica parada registrando a passagem do tempo, observando as mudanças de luz”.

A intenção do prêmio é trazer para o alcance do público esta geração de fotógrafos que trabalham com vídeo, mas têm a fotografia e não o cinema como referência, ou que apresentam a imagem no papel fotográfico, mas acompanhada de uma longa história. É deixar o campo aberto para que outros encontros ainda mais inesperados venham à tona e provem que para a linguagem fotográfica não há limites.

(Diário do Pará)

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