Contar a história e manter viva a obra musical e literária do Maestro Wilson da Fonseca, o genial Maestro Isoca, é a missão de vida do desembargador e filho do músico, Vicente Malheiros. Agora, em memória do pai, ele relança em versão digital e de livre acesso o livro “A Vida e a Obra de Wilson Fonseca (Maestro Isoca)”, de sua autoria, lançado originalmente em 2012, em homenagem ao centenário de nascimento do artista.
“Estou muito feliz! O livro é uma síntese da bibliografia, discografia, obra musical, partituras impressas e fotos do maestro Isoca. Para mim, representa uma autêntica missão de vida. Um livro de homenagem filial. A realização de um ideal. Não deixa de ser também uma homenagem à minha querida mãe Rosilda, musa inspiradora dele de sempre”, diz Vicente Malheiros.
A ideia do livro, ele revela, veio do tio Wilmar Fonseca, quando morou com ele em São Paulo, entre 1962 e 1963, para estudar no Conservatório Musical José Maurício. “Ele me disse: Vicente, o teu pai é um gênio! E tu precisas divulgar melhorar essa obra musical. Foi ali, à distância, que aprendi a apreciar, ainda mais, a figura de meu pai, como homem e como artista. Reconheço nele um dos mais importantes compositores brasileiros”, diz.
O projeto para lançar a versão digital ainda este ano está a todo vapor e Vicente está concluindo o registro necessário do ISBN (International Standard Book Number) junto à Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, para então disponibilizar a versão digital no site do maestro na internet, para acesso gratuito. “Além dos músicos, compositores, professores, historiadores, estudantes e artistas, pretendo com a publicação digital também alcançar toda e qualquer pessoa interessada em conhecer um pouco mais sobre a arte e a cultura musical da Amazônia, ainda desconhecida da grande mídia nacional e internacional. Boa parte da produção musical de Wilson Fonseca, mais de 1,6 mil composições, permanece inédita e aguarda ainda pela descoberta dos estudiosos”, projeta o autor.
A versão impressa do livro, diz Malheiros, está disponível na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington, D. C., uma das maiores e mais importantes do mundo, a pedido do Consulado Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro e, desde o lançamento, já alcançou muitos lugares. “O livro também está no acervo da Biblioteca do Maestro Júlio César Huertas Scelza, em Montevidéu – Uruguai, da Biblioteca Ópera de Paris, na França, da Biblioteca Britânica de Londres, Biblioteca Nacional da Espanha, em Madrid, Biblioteca de Genebra, na Suíça, e Biblioteca do Conservatoire Royal de Musique de Bruxelles, na Bélgica”, enumera Vicente Malheiros, além de acervos nacionais como os do Instituto Nacional do Livro e Biblioteca do Masp – Museu de Arte de São Paulo.
Para Vicente, o livro em versão impressa já ajudava as pessoas a conhecerem a riqueza das obras do Maestro Isoca, mas o alcance da internet deve ajudar ainda mais essa difusão. “Embora Wilson Fonseca seja mais conhecido pelo ‘Hino de Santarém’, ‘Canção de Minha Saudade’, ‘Terra Querida’, ‘Lenda do Boto’ e ‘Um Poema de Amor’, existe um ‘outro’ Isoca, menos conhecido do grande público, autor de peças de câmara e orquestrais, inclusive maravilhosas músicas sacras, onde ele alcançou o ápice em sua carreira como compositor”, diz o filho.
(Diário do Pará)
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