A ideia central é reunir diferentes modos de ver, ouvir e sentir o cotidiano das cidades, e partilhar estas diferentes experiências a partir de vídeos e áudios feitos em diversas partes do mundo. Assim apresenta-se o projeto “As Cidades Descaradas”, da artista gaúcha Viviane Gueller, que realiza sua primeira etapa na capital paraense entre os dias 1º e 9 de março, com ações públicas concentradas nos dias 5 e 6 de março, na feira do Ver-o-Peso. A convocatória para quem deseja participar enviando material permanece aberta até o domingo, dia 22 de fevereiro.
A idealizadora do projeto conta que desenvolvia trabalhos envolvendo áudio e vídeo, e que possuía um arquivo pessoal feito de coisas do cotidiano, o que a levou a pensar que muitas pessoas também teriam os seus. “E por que não criar essa rede de pessoas que olham para o cotidiano e pensar o que tem de estranheza nele, pensar nisso como algo coletivo e ao mesmo tempo individual porque depende de percepção de cada um?”, reflete Viviane.
O projeto, premiado na 11ª edição do programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais, ganhou pernas e agora segue por três capitais brasileiras: Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre, sua cidade de origem. E para cada ponto de encontro, Viviane elegeu uma artista anfitriã, duas amigas, a paraense Flavya Mutran e a mineira Janaína Rodrigues. “A escolha das cidades tem relação direta com as artistas convidadas, acaba por traçar uma cartografia do afeto e tem muito a ver com o que eu penso desse trabalho, como um encontro com a poética do outro”, considera a gaúcha.
A artista sairá de Porto Alegre trazendo uma instalação de vídeo e, ao chegar em Belém, também deve coletar novas imagens e depoimentos, que depois seguem para Belo Horizonte. “O projeto segue o mesmo molde de outros trabalhos dela, em que a instalação é montada em ambientes não formais, como mercados e elevadores. Enquanto estivermos na cidade, também vamos visitar espaços como a Kamara Kó e Fotoativa, a fim de gerar esse encontro entre as pessoas”, explica Flavya Mutran.
Já está prevista, entre esses momentos de troca com outros artistas, a participação do trio de fotógrafas no Café Fotográfico do dia 3 de março, no Centro Cultural Sesc Boulevard. “Tanto Porto Alegre quanto Belém estão fora daquela rota Rio-São Paulo, estamos nos extremos do país, e assim temos um modo diferente de pensar como fazer para levar nosso trabalho até os lugares, produzir e expandir nossas ideias. Por isso acho que esse encontro será bem interessante”, diz Flavya Mutran.
Para participar da instalação com vídeos coletivos que passarão pelas demais cidades envolvidas no projeto, basta enviar gravações de áudio com até três minutos de duração ou vídeos de até cinco minutos, que de alguma forma respondam à provocação: “Na vida cotidiana, o que faz você pensar sobre aquilo que ainda não conhece?”. Os arquivos podem ser em qualquer formato e enviados para o e-mail do projeto. Os registros e os nomes de todos os autores constarão na ficha técnica do trabalho, que será editado no formato de vídeo e impresso.
Viviane Gueller reforça que não é preciso ser artista para enviar seu material. “É um pensamento muito mais de registro e captura daquele momento do que um planejamento, como um cineasta que vai criar uma cena. Queremos que as pessoas colaborem justamente com aquilo que o momento traz”, diz Viviane. A anfitriã paraense, Flavya Mutran, diz que já está pensando em produzir algo também. “Meu trabalho é com fotografia, não tenho muitas incursões com vídeo, mas eu estou vendo crescer o projeto, materiais chegando, e estou ficando animada, acho que vou acabar enviando algo também”, confessa.
(Diário do Pará)
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