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Hoje é dia de Oscar!

Nas apostas para o Oscar, não tem jeito, mesmo quando o filme não parece ter muitas chances, quem viu e gostou ainda torce para que ele seja a zebra do ano, levando até, quem sabe, a estatueta mais desejada: a de Melhor Filme. Isso acontece até com os mai

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Nas apostas para o Oscar, não tem jeito, mesmo quando o filme não parece ter muitas chances, quem viu e gostou ainda torce para que ele seja a zebra do ano, levando até, quem sabe, a estatueta mais desejada: a de Melhor Filme. Isso acontece até com os mais entendidos no assunto, como os críticos da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA) e da Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC).

“Ainda não tive tempo de assistir a todos os indicados a ‘melhor filme’, pois não me chamou muito atenção a lista da premiação. Sendo bem sincero, o ano de 2015, comparado a anos anteriores, ficou um pouco inferior na qualidade das produções. Senti bastante falta de diretores de peso como James Gray, Paul Thomas Anderson, David Fincher, Hayao Miyazaki ... na categoria animação, tremenda injustiça ‘Vidas ao Vento’ ficar de fora”, abre logo o assunto, Tiago Freitas, da APJCC.

A aposta do jovem crítico está em um destes que são bons, mas com menos chances: o “Sniper Americano”, do diretor Clint Eastwood, única pessoa a ser nomeada duas vezes a melhor diretor e ator no mesmo filme - em 1992, com “Os Imperdoáveis” (Unforgiven), e em 2004, com “Menina de Ouro” (Million Dollar Baby), último Oscar que conquistou. “Apesar de não explorar tão a fundo o contexto político da Guerra no Iraque, desenvolve o mito do ‘herói americano’ de maneira muito interessante e Chris Kyle (Bradlley Cooper), o sniper, é um dos personagens mais complexos do Clint dos últimos tempos”, justifica.

Marco Antônio Moreira, da ACCPA, afirma que está dividido entre duas produções: “Boyhood”, de Richard Linklater, e “Birdman”, de Alejandro González Iñárritu. Em relação ao primeiro, ele considera que o projeto em si já é altamente interessante. “A ideia de acompanhar o crescimento de um personagem real, ver em todos que estão em cena um envelhecimento verdadeiro, o que inclui mudanças físicas e psicológicas, já é algo a ser levado em consideração. A realização também é boa, afinal, não basta ser bom só na ideia”, destaca.

“Boyhood” vem levando vários prêmios de melhor filme em festivais, dentre eles o Critics Choice Movie Awards, da maior organização de críticos cinematográficos de EUA e Canadá, a Broadcast Film Critics Association (BFCA). É a terceira premiação mais relevante do cinema americano, depois do Oscar e do Globo de Ouro, e desponta como o grande favorito à melhor filme, na verdade. Filmado de 2002 a 2013, mantém o seu núcleo de atores principais do início ao fim.

No caso de “Birdman”, Marco Antônio afirma ter ficado encantado com o ritmo frenético do filme. “São muitos diálogos, tramas e subtramas. A câmera está sempre em movimento e isso enriquece muito a força do filme, que já é bom pelo seu roteiro”, diz o crítico, apostando também em uma segunda vitória: “O normal seria que a categoria de melhor diretor também saísse entre um deles, mas é impossível prever. Ela é uma das mais imprevisíveis. Fica minha torcida para que um deles leve ambas as estatuetas”.

O cineasta paraense Fernando Segtowick, que também integra a ACCPA, é um dos que gostariam que desse “zebra”. Torce para que ao menos o diretor de “O Grande Hotel Budapeste”, Wes Anderson, saia com uma estatueta da premiação. “Sou fã dele”, justifica. Considerado a melhor comédia pelo Globo de Ouro 2015, o filme retrata Gustave H., porteiro de um famoso hotel europeu, e seu pupilo Zero Moustafa, que se envolvem no roubo de um valioso quadro renascentista.

Mas Fernando é realista, sabe que “Birdman” e “Boyhood” são os longas com maior potencial para vencer esta corrida em busca do Oscar. “No começo parecia ser ‘Boyhood’, mas está se falando bem mais no ‘Birdman’. Na verdade, o Oscar parece uma campanha política, vai da estratégia de marketing de cada um, e acredito que um destes dois vai levar. Eles são artisticamente muito ousados”, destaca.

“Birdman” conta a história de uma peça de teatro produzida, dirigida, escrita e protagonizada por Riggan Thomas (Michael Keaton), um ator lutando para retomar sua carreira parada há um bom tempo. “Ele é recheado de vários planos-sequências muito bem realizados, discute essa coisa da celebridade e da relevância que todos nós temos no mundo”, comenta Segtowick. Quanto ao “Sniper Americano”, ele acredita que apesar do filme ter crescido em popularidade, por estar tendo grande bilheteria nos Estados Unidos, é difícil que ganhe. “E acho que o bacana é mesmo esperar ate o fim da premiação”.

(Diário do Pará)

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