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Biblioteca pública \"esconde\" acervo de escritores

O que caberia na estante de um grande escritor? Que livro fez com que ele se deleitasse horas a fio? Que páginas ele revisitou muitas e muitas vezes e pontuou de anotações? Que soma de temas lidos, acumulados ao longo da vida em tantos livros desaguaram n

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O que caberia na estante de um grande escritor? Que livro fez com que ele se deleitasse horas a fio? Que páginas ele revisitou muitas e muitas vezes e pontuou de anotações? Que soma de temas lidos, acumulados ao longo da vida em tantos livros desaguaram na sua escrita? Tantas perguntas que muitas vezes um leitor apaixonado se faz sobre seus autores preferidos, com o desejo de ser uma mosquinha a fuçar a biblioteca dos outros. Mas dentro da Biblioteca Pública Estadual Arthur Vianna, em Belém, descansam algumas dessas curiosidades em acervos muitas vezes completamente desconhecidos até mesmo por quem transita no espaço.

Em dezembro de 2014, a biblioteca recebeu um conjunto de mais de 2,6 mil livros que pertenceram ao escritor Ildefonso Guimarães. Uniram-se, então, a coleções já doadas para o espaço, de escritores como Bruno de Menezes e Haroldo Maranhão. O que eles leram e utilizaram como fonte de pesquisa e inspiração está em um setor de coleções de personalidades que reúne mais do que livros – muitas vezes raros -, mas também um pouco da história de vida de cada um desses autores.

“Mesmo que todas as obras doadas pela família de Ildefonso não sejam obras raras, elas vão ficar todas no mesmo espaço juntamente com as coleções de nomes como Lauro Sodré, Ernesto Cruz, Haroldo Maranhão, Justo Chermont e Bruno de Menezes. Ainda estamos higienizando e catalogando a coleção antes de disponibilizar ao público. Depois, as obras mais raras são destacadas e o que for apenas antigo fica em outro espaço, na coleção do autor”, explica a bibliotecária Ruth Selma dos Santos, gerente da Biblioteca Pública Arthur Vianna, onde funciona, entre outros, o Setor de Obras Raras.

Ruth Selma adianta que o acervo de Ildefonso ainda será analisado, processo que leva tempo. “Para identificar uma obra rara, nós utilizamos catálogos de outras bibliotecas como a Biblioteca Nacional, Museu Nacional e outros locais do Brasil e do mundo que nos fornecem indicações e elementos que nos permitem verificar se aquela obra é rara”, diz o historiador da Fundação Cultural do Pará, Alan Lima, explicando a demora.

Antes da catalogação, porém, os livros ainda passam pela higienização. “O mais importante é a gente poder conservar esse material para que ele fique à disposição do pesquisador. O desafio é grande, já que nosso clima é úmido e favorece que o material se danifique, por isso todo cuidado é pouco na limpeza e conservação das obras. Como os livros estavam em estantes, as páginas acabaram grudando entre si e até mesmo capas. Então a gente teve todo cuidado de, na hora de desgrudar, não danificar e não rasgar. Sem o processo de higienização, ao longo dos anos a situação vai piorando porque vão surgindo fungos e até mesmo poeira que danificam as obras”, explica Suzana Tota, da Gerência de Processos Técnicos da Fundação Cultural do Pará.

Em meio a todos esses cuidados, 30 livros de Ildefonso já receberam os cuidados e foram encaminhados para a análise do setor de obras raras. “Existem outras obras que têm uma importância em termos nacionais e internacionais como ‘Anais Históricos do Maranhão’ de Bernardo Pereira de Berredo, que é do século 18 e uma obra importante, que traz informações úteis para quem investiga a história do estado”, diz Alan Lima.

(Diário do Pará)

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