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A vida num mundo de imagens

As inscrições para o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia encerraram na última sexta-feira. Agora, tem início o processo de avaliação dos trabalhos até chegar à lista de selecionados para a exposição deste ano. Mas em paralelo, o Prêmio inicia seu pr

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As inscrições para o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia encerraram na última sexta-feira. Agora, tem início o processo de avaliação dos trabalhos até chegar à lista de selecionados para a exposição deste ano. Mas em paralelo, o Prêmio inicia seu projeto educativo para este ano. A primeira palestra da programação desta 6ª edição ficará por conta da fotógrafa e pesquisadora no campo da imagem, Lívia Aquino. Ela fala sobre “Enunciados de um Mundo-Imagem [Ou o Que Poderia Ser Um Selfie de Todos Nós]”. O evento ocorre na quinta-feira, dia 26, às 19h, no auditório do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos (CCBEU). A entrada é franca.

Mestre em Multimeios e doutora em Artes Visuais pela Universidade de Campinas (Unicamp), Lívia coordena e leciona na Pós-graduação em Fotografia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP-SP). Ela integra o júri desta edição do projeto ao lado da curadora, crítica e pesquisadora em artes, Marisa Mokarzel, e da artista e pesquisadora em artes, Val Sampaio. E coloca em debate em sua palestra a nossa percepção do mundo através da imagem.

E essa relação está cada vez mais presente. Altamente relacionada com a modernidade, a fotografia encontrou formas de acompanhar as diversas mudanças sociais, principalmente se firmando como parte de seus rituais. Um exemplo clássico é a viagem de férias, onde o ato de fotografar acaba diversificando a experiência da viagem e, de certa forma, intervindo no comportamento do viajante. A partir dela, se constrói uma percepção de realidade que vai se tornando a percepção cotidiana.

Segundo Lívia, “a partir dos anos 1980, alguns artistas começam a problematizar o turismo nessa relação com a fotografia, apontando questões sobre o conteúdo e as formas de ver, a serialização, o esgotamento, a posse e a pose”, contextualiza a pesquisadora.

“Nota-se, nessa perspectiva, um processo de reconhecimento e registro de tensões entre os dois campos, bem como um exercício crítico acerca das imagens, ao deslocá-las no tempo e no espaço de seus usos, restituindo enunciados dos modos de operação da fotografia, principalmente aquela feita por amadores, e produzindo nova percepção e subjetivação da experiência da viagem”, completa.

As imagens de Corinne Vionnet sobrepõem fotos de turistas anônimos sobre os mesmo lugares, como a Torre Eiffel. Foto: Corinne Vionnet

Uma dessas artistas a qual Lívia se refere é a suíça Corinne Vionnet, que para a série “Photo Opportunities” recolhe na internet centenas de fotografias produzidas por turistas e reúne tudo em uma única imagem. “Porém, quando superpõe as fotografias, Vionnet tira a opacidade de cada uma e faz com que as camadas apareçam sutilmente de modo a criar uma nova imagem. O aspecto quase onírico do desfoque gerado com as sobreposições coloca o monumento em suspensão, como se flutuasse no espaço que se reconhece de antemão por tantas outras fotografias vistas em cartões postais e guias turísticos, como as do Taj Mahal, das pirâmides do Egito, da Sagrada Família ou do Coliseu”, acrescenta Lívia.

Vionnet se apropria e dá novo significado àquelas imagens de massa, mas ainda há de se observar que a matéria-prima para um trabalho como esse é justamente a evidência do clichê, da repetição e da uniformização da experiência do viajante que se torna nada mais do que um acumulador de imagens. A fotografia é a prova de um programa que foi meticulosamente cumprido e um roteiro fácil para a nossa memória. Viver a experiência seria igual a olhar a foto dela.

A palestra será uma reflexão que evidencia um amplo sentido para o fotográfico no modo de vida contemporâneo, apontando um hibridismo tanto entre os sujeitos dessa história como pelos meios utilizados para se fazer o que ainda pode ser nomeado como fotografia.

Criado em 2010, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um projeto nacional que incentiva a cultura, a arte e a linguagem fotográfica em toda a sua diversidade. O Prêmio é uma realização do DIÁRIO DO PARÁ, com patrocínio do shopping Pátio Belém e empresa Vale, apoio institucional da Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA, Sol Informática e Museu da Universidade Federal do Pará. Além da premiação aos artistas, o projeto incentiva a educação e a pesquisa com uma programação de palestras, encontros com artistas, oficinas e atividade educativa com as escolas.

(Diário do Pará)

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