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Rancho celebra vitória com preparativos para junho

Seus oitenta e poucos anos não tiram de Dona Lizete Azevedo a alma jovem e alegre nem sua paixão pelo carnaval. Ela ainda prova que tem muito samba no pé. O mesmo pode ser dito da escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná, uma oitentona que conquistou n

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Seus oitenta e poucos anos não tiram de Dona Lizete Azevedo a alma jovem e alegre nem sua paixão pelo carnaval. Ela ainda prova que tem muito samba no pé. O mesmo pode ser dito da escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná, uma oitentona que conquistou no último domingo, 22, seu tetracampeonato, com o tema “AP, Saga Cinco Estrelas Bordada a Ouro pelo Tempo”, uma homenagem ao centenário da Assembleia Paraense. “Uma maravilha! Uma maravilha!”, era a opinião de Dona Lizete sobre o desfile que consagrou a escola no Carnaval 2015.

Nesta semana, o barracão e a sede da escola já começam a retomar suas atividades habituais, mas ainda com um sorriso no rosto, refletindo os últimos dias de comemoração. Afinal, não foi tão simples conquistar o primeiro lugar do grupo especial, e todos ainda estão em clima de rememorar a vitória e os acertos deste ano. Uma mudança que se mostrou positiva foi que, em 81 anos de história, pela primeira vez, a final do festival que escolhe o samba-enredo da escola ocorreu fora de sua sede, no Jurunas, sendo levada para a sede campestre da Assembleia Paraense.

“Estava lotada e saímos de lá com a certeza de um samba grandioso”, comemora Carlos Félix, diretor artístico da escola. O samba vencedor foi composto por Dudu Nobre, Paulo Oliveira, Tiaguinho Lobato, Diego Nicolau e Rafael Prates. E muito antes de estar com o samba em mãos, a diretoria da escola ainda viajou até São Paulo para comprar os materiais para as alegorias. “Em outubro já entramos nos barracões para começar a confecção. E hoje podemos dizer que esse foi o maior carnaval da história da escola”.

O professor de geografia Márcio Maciel, 28, é atualmente o integrante mais antigo da comissão de frente da escola, da qual participa há 10 anos, e desabafa: “Somos muito julgados antes mesmo do carnaval, porque não somos bailarinos profissionais. Este ano viemos com integrantes das quadrilhas Sedução Ranchista e Encanto da Juventude. Ninguém é profissional, mas demos nosso sangue e suor por esta vitória”, declarou, após a conquista da nota dez neste quesito.

Fundado em 31 de janeiro de 1934, o Rancho tornou-se uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade e já acumula 28 títulos do Carnaval, sendo 18 como escola de samba, e os outros 10 na categoria rancho. Tem e teve grandes nomes como parte sua história, como os carnavalescos Paulo Anete e Laércio Queiroz, e o sambista paraense Raimundo Manito, que foi um dos fundadores da escola. Dominguinhos do Estácio já cantou por ela. Este ano, a escola foi para avenida com um nome importante a menos – o diretor de bateria e ex-presidente da escola, José Roberto Trindade, que faleceu na véspera do desfile.

“Esta vitória é dedicada ao nosso inesquecível Zé Roberto, que jamais permitiu à escola ficar parada”, afirma o presidente Jango Vidal. A comunidade aplaudiu e se emocionou. Está a costumada a se ver como uma grande nação, na qual cada perda faz grande diferença. Algo que se estende além do bairro que nasceu. “A gente fala em nação jurunense, mas a verdade é que o Rancho vai além do bairro do Jurunas. Tem gente que vem de São Paulo para desfilar aqui. Nós fomos para Vitória do Xingu e encontramos gente lá que nunca viu o Rancho, mas que torce por nós todo ano porque acompanha a nossa história e se considera ranchista”, diz Félix.

Presença

Neste momento, as fantasias vão sendo desfeitas e os carros alegóricos desmontados no barracão, sob o comando de Alcir Barão. “Desmontamos tudo para sempre começar do zero”, ele explica. Todo o processo leva cerca de duas semanas até que ali permaneça apenas um grande espaço vazio aguardando que uma nova história comece a ser construída ali pelas mãos de dezenas de artesãos.

Enquanto isso, já acontece a primeira reunião para organizar os ensaios da quadrilha junina da escola, a Sedução Ranchista. Isso mesmo. Sai Carnaval, entram as festas juninas feitas pelos mesmos dançarinos que há algumas horas comemoravam a vitória na avenida do samba. “Também voltam a ser realizadas diversas atividades sociais, culturais e esportivas ofertadas à comunidade. Mais do que uma escola de samba, o Rancho é uma segunda casa para muita gente”, declara Félix.

A moradora Nazaré Botelho, 60, declara a importância da escola para quem a frequenta. “Ela dá muito amor, muita emoção o ano inteiro, com os projetos que realiza fora do período do carnaval. Além disso, nos dá orgulho de ser deste bairro, faz com que nós sejamos mais unidos!”, declara.

Entre as atividades oferecidas pela agremiação, estão as aulas de judô, balé, capoeira, boxe, informática e violão. Outras ações importantes realizadas pelo Rancho e que serão retomadas esta semana são os atendimentos odontológicos e a distribuição de sopa, três vezes por semana, aos moradores de baixa renda e sem-teto que vivem próximo à sede. “Essa é a nossa rotina, que só para quando já estamos bem perto do Carnaval, mas que é retomada assim que as comemorações se encerram”, finaliza Félix.

(Diário do Pará)

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