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\"Ensaio aberto\" se amplia para outras linguagens

Um espaço para conhecer bandas autorais novas, bater um papo mais próximo com a sua banda local preferida e sem preocupação com a hora de voltar para casa. Assim é o “Ensaio Aberto”, projeto cultural desenvolvido há 20 anos pelo empresário Na Figueredo na

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Um espaço para conhecer bandas autorais novas, bater um papo mais próximo com a sua banda local preferida e sem preocupação com a hora de voltar para casa. Assim é o “Ensaio Aberto”, projeto cultural desenvolvido há 20 anos pelo empresário Na Figueredo nas tardes de sábado, e que estreia hoje a sua temporada 2015 com uma novidade: abre espaço para outras linguagens artísticas.

“Até agora o ‘Ensaio Aberto’ era voltado exclusivamente para apresentações musicais. Mas sabemos que nosso estado tem uma produção cultural pujante, que carece de espaço para mostrar o seu trabalho. Por isso, neste ano em que o projeto completa 20 anos, a gente vai experimentar uma nova faixa de horário destinada a outras manifestações artísticas não necessariamente ligadas à música”, explica Na Figueredo.

Hoje e no próximo sábado, a partir das 11h, a Sala Mestre Laurentino – anfiteatro localizado nos fundos da loja da Gentil Bittencourt - recebe os palhaços da Trupe de Bubuia, com espetáculos de contação de histórias dedicados ao público infanto-juvenil. Hoje será apresentado o espetáculo “Passeando no Outeiro”, que fala da ilha de uma forma bem humorada; na outra semana será a vez de “Maninho, Cadê as Árvores?”.

Para Joércio Lima, o Palhaço Jojoca, a oportunidade surge na contramão da atual cena cultural de Belém. “Enquanto vemos pela cidade espaços culturais e de promoção às artes fechando por falta de investimentos e recursos, o ‘Espaço Aberto’ dá esta oportunidade para que outras manifestações possam mostrar o seu trabalho e isso é de extrema importância para o desenvolvimento da nossa cultura”, destaca.

O formato original do projeto, com as apresentações musicais, retorna no próximo sábado, a partir das 18h, com um campeonato de beatmatch, a arte de sincronizar batidas, uma disputa entre os alunos da Belchior Escola de Beats. Também já estão abertas as pautas para que bandas autorais, de qualquer estilo, se inscrevam para tocar naquele palco, com datas a partir do dia 14 de março. “Isso também vale para artistas de outras expressões que queiram mostrar o seu trabalho na faixa matinal do projeto”, avisa Na.

Ele avalia como muito positivos os 20 anos de projeto, consolidado como um espaço onde as bandas podem interagir com o público e trocar experiências. “Não é difícil encher o local, porque as pessoas já conhecem e gostam do que rola por aqui”, orgulha-se. Outra novidade a partir deste ano é que as programações terão como ingresso a doação de 1kg de alimento não perecível, que será doado a uma instituição filantrópica.

DUAS DÉCADAS

Em 1995, quando os espaços dedicados à música eram bem escassos em Belém, a banda Morpheus procurava um local para ensaiar e ficou sabendo que nos fundos da loja de camisetas de rock havia uma ampla sala vazia. Os músicos então resolveram pedir ajuda e prontamente ganharam o espaço para ensaiar. Logo depois, outras bandas fizeram o mesmo pedido e também obtiveram resposta positiva. “As pessoas que vinham à loja ou passavam pela rua ouviam as bandas ensaiando, gostavam do som e pediam para dar uma olhada. Foi quando percebemos que podíamos unir o útil ao agradável e passamos a fazer um calendário mensal de ensaios que poderiam ser assistidos pelo público”, lembra Na Figueredo.

Com 30 anos de atividades, o Delinquentes é uma bandas que mais subiu naquele palco. “Não faço nem ideia de quantas vezes tocamos no projeto. Como banda, é como se fosse um termômetro para a gente testar o retorno de uma música nova, um disco novo ou coisa parecida. Como plateia, é uma oportunidade que os fãs e amigos têm para trocar experiências. Faço parte destes dois públicos”, enfatiza o vocalista Jayme Katarro.

Outra banda que tem uma longa história ligada ao ‘Ensaio Aberto’ é o Vinyl Laranja. Com passaportes na mão, rumo a uma turnê nos Estados Unidos, a banda praticamente se criou ali. “Temos 11 anos de banda e participamos de quase todas as temporadas do ‘Ensaio Aberto’ neste tempo. Para toda a banda que está começando, um grande desafio é a formação de público, e o ‘Ensaio Aberto’ é excelente para isso, porque as pessoas vão para conhecer as bandas, ouvir algo novo e isso foi importante para gente”, diz Saul Smith, guitarrista.

Jayme Katarro também destaca a abrangência de público que o projeto agrega. “São bandas de diversos estilos, os shows terminam cedo, então é uma excelente oportunidade para que os menores de idade possam conhecer as bandas, pois geralmente não podem entrar em casas de shows à noite. Já os maiores de idade por vezes usam o ‘Ensaio Aberto’ como esquenta da programação de sábado”, pontua o líder do Delinquentes.

A comerciante Joyce Albuquerque frequenta os shows na loja há pelo menos cinco anos e vê no projeto uma ótima oportunidade para conhecer bandas novas. “Ali conheci bandas como A Red Nightmare e Cais Virado. E sempre acompanho os shows das bandas que eu já conheço e gosto bastante”, destaca.

Espetáculo “Passeio no Outeiro”, da Trupe de Bubuia, no projeto “Ensaio Aberto”
Quando: Hoje, 11h
Onde: Na Figueredo (Gentil Bittencourt, 449)
Ingresso: 1kg de alimento não perecível
Informações: (91)3224 -8948
Para solicitar uma pauta: ensaioaberto@nafigueredo.com.br

(Diário do Pará)

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