Como seria assistir a um espetáculo sem qualquer luz no ambiente, sem ver os atores nem mesmo o palco? Para proporcionar experiências como essa ao público que frequenta o teatro paraense e conscientizá-lo da necessidade da inclusão de pessoas com limitações físicas na vida cultural da cidade, foi criado o projeto “Cena Especial – Teatro Inclusivo”.
O objetivo é formar um grupo teatral especializado neste tipo de espetáculo, que provoque algum tipo de limitação e estimule os outros sentidos. As inscrições para quem deseja participar do grupo encerram-se hoje na Faculdade Integrada Brasil Amazônia (Fibra), com limite de 30 vagas.
“Para nossa felicidade, as inscrições, que têm ocorrido desde o mês passado, foram um grande sucesso. Recebemos um número expressivo de candidatos, inclusive pessoas de fora do estado buscando informações sobre como participar”, conta o dramaturgo Carlos Correia Santos, responsável pela coordenação e preparação do grupo teatral.
Podem se inscrever pessoas com ou sem deficiência e também não é exigido ter experiência artística. Mas o candidato precisa escrever uma carta de intenção, dizendo por que deseja integrar essa experiência inédita por aqui.A ideia nasceu como um Projeto de Extensão da faculdade, que busca a formação de “atores-inclusivos”, profissionais especializados em espetáculos cênicos voltados a portadores de algum tipo de deficiência. Não é cobrado pagamento de mensalidades nem a inscrição.
“A ideia é formar pessoas dispostas a montar espetáculos que abordem questões relacionadas à educação especial e à inclusão social. Queremos formar uma nova geração de artistas preparados para se comunicar artisticamente explorando as possibilidades múltiplas dos sentidos. E também, da ausência destes”, explica Carlos Correia.
Entre os muitos exercícios de preparação que o dramaturgo pretende realizar com os alunos, estão aqueles que visam explorar a aptidão sensorial do ator e do público.
“Vamos ler uma por uma as cartas de apresentação. Estamos em busca de pessoas que realmente queiram se envolver com o projeto. Uma história que já posso contar é a de um rapaz de Outeiro que nos procurou. Usuário de cadeira de rodas, mesmo morando tão distante, ele manifestou grande interesse em participar”, antecipa.
O grupo terá caráter permanente e deverá apresentar montagens em junho e dezembro deste ano, fazendo a plateia experimentar o universo das diversas limitações físicas.
As aulas iniciam no dia 13 deste mês, já visando estas primeiras apresentações, além de montar pequenas performances que possam ser apresentadas em escolas, em espaços alternativos e espetáculos formais para ocupar palcos de teatros e centros culturais.
(Diário do Pará)
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