O jornalista Fabiano Moreira vai bater um papo com o público paraense hoje sobre um assunto que tem tudo a ver com a cultura local: mashup. Esse é o nome dado a uma canção ou composição criada a partir da mistura de duas ou mais canções pré-existentes.
Normalmente, é feita com transposição do vocal de uma música em cima do instrumental de outra, ou vice-versa, o importante é combinar e criar uma terceira obra. A conversa é o primeiro evento do projeto “Gotaz On The Table”, na Gotazkaen Estúdio, que aproveita o embalo para apresentar uma exposição dos trabalhos dos 15 alunos que passaram o mês de fevereiro treinando arte por lá, com câmera e pincel na mão, nas oficinas de fotografia e ilustração.
“Fazer mashup é o novo ‘eu toco violão’. Basta um notebook, uma placa de som e um software de edição e o cara pode fazer um webhit sem sair de casa. Isso tem muito em comum com a cultura do tecnobrega, que também se apropria de samplers e sucessos internacionais”, explica o jornalista, que é um dos colaboradores da coluna semanal “Trans Cultura”, do Segundo Caderno do jornal O Globo, além de ser produtor da festa de mashups “Bootie Rio”, a primeira versão da festa mundial de mashups abaixo da linha do Equador.
A pauta do bate-papo é justamente sobre direitos autorais e o mashup ao lado dos DJs paraenses Daniel Zuil, do Gotazkaen, Luan Rodrigues, do Uaná System, e Mauricio Vianna, da festa Funkme.
“Geralmente, fazemos mashup sem a autorização dos artistas, com exceção de alguns poucos casos, como a Gang do Eletro e Gaby Amarantos, que nos cedem acapellas (canal de voz) e instrumentais das canções. Com isso, somos constantemente barrados no YouTube e no Soundcloud por questões de direitos autorais. Poucos artistas veem este reprocessamento com bons olhos”, explica Fabiano, antecipando um pouco do que será discutido no encontro.
Mas há exceções. O jornalista vasculha pelo país artistas que se interessem em ceder seus sons para que os DJs possam trabalhar o que, para os artistas mais antenados, deveria ser visto como mais uma oportunidade de divulgação e disseminação do seu trabalho.
“Um exemplo é a Gang do Eletro, que, além de ceder o material para a gente produzir os mashups, posta no blog, curte e divulga entre os fãs. O Waldo Squash é um artista que também tem estes limites dos direitos autorais rondando a sua obra, acho que ele entende, incentiva, é um querido conosco. O Lulu Santos adora mashups, nos convidou para tocar em sua festa de 60 anos, no Copacabana Palace, e hoje usa o CD que eu fiz para ele, com os mashups de Lulu, para abrir os seus shows. E ainda deu um depoimento nos elogiando para a ‘Veja’, em uma matéria grande sobre mashups que saiu. Gaby Amarantos, Bonde do Rolê, Banda Uó, Pearls Negras, Daniel Peixoto, Jaloo, Mahmundi e RioShock são outros artistas que cedem material para a gente e curtem o resultado”, revela o jornalista.
Do papo para a prática e na sexta-feira Fabiano mostrará o que é uma festa regada com essa mistura de sons, incluindo funks cariocas, durante a balada “Funk Me ft. Bootie Rio - Uma Música Só Não É o Bastante”, no Vila Aurora, com a participação dos DJs Diel Bentes e Neto Bacelar, o convidado Pedro Kobold e Meachuta.
(Diário do Pará)
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