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Criação de sindicato pretende exigir respeito

A última terça-feira foi histórica para os músicos paraenses. Naquela noite, cerca de 30 deles estiveram presentes na assembleia de fundação do novo Sindicato dos Músicos do Estado do Pará, que passa a atender pela sigla Sindmupa. O presidente que assume

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A última terça-feira foi histórica para os músicos paraenses. Naquela noite, cerca de 30 deles estiveram presentes na assembleia de fundação do novo Sindicato dos Músicos do Estado do Pará, que passa a atender pela sigla Sindmupa. O presidente que assume para mandato de quatro anos é o músico Rubenito Soares, e o vice, o músico Michel Mota. Rubenito diz que a iniciativa em montar uma chapa e retomar a criação de um sindicato para sua classe “veio do comentário de colegas que reclamavam da falta de respeito e da humilhação que muitas vezes passam para exercer a profissão”.Belém já teve um sindicato dos músicos, que segundo informações estaria desativado por pendências jurídico-financeiras. Porém, mesmo quando atuante na capital paraense, a entidade não tinha unanimidade entre os músicos locais.

Com o sindicato criado para atender a todo o Estado, pretende-se fazer e ser diferente. A primeira reunião já foi para afinar o estatuto de acordo com as necessidades da classe. Os músicos presentes eram, em sua maioria, aqueles que atuam na noite de Belém e em municípios do interior do Estado. Edevaldo Sales, mais conhecido como “Índio”, é produtor, músico e compositor com 35 anos de carreira e diz que o principal é mesmo essa luta por valorização. “Você não vê essa valorização nem por parte do município, nem do Estado, nem das políticas federais. Tem músico que chega para tocar no bar, em uma casa de show, e querem pagar com um almoço!”, indigna-se.

Ele também questiona a ausência de investimento do poder público em projetos que levem esses músicos para eventos culturais nas periferias das cidades paraenses. “Simplesmente não existem programas voltados para as periferias. Mesmo quando é da iniciativa dos músicos montar um projeto nesse sentido, de levar música, oficinas e atividades culturais, eles não recebem apoio. É por isso que a violência só aumenta em todas as cidades do Pará. O sindicato é uma maneira de a gente se organizar para cobrar isso”, acredita.Para os músicos que estiveram presentes na reunião e para a chapa que agora compõe o sindicato, a entidade é uma esperança. “Queremos inibir situações de humilhação mesmo, como quando fazem show de artistas nacionais e chamam um artista local, mas este é tratado com total desrespeito. Já aconteceu de ter problema técnico com montagem de palco e, pelo atraso, o músico daqui ser simplesmente dispensado. Tem que existir alguém para proteger esses profissionais”, defende Rubenito.

Uma das formas de minimizar tais problemas, aponta o presidente, se faz com a presença constante da entidade. E isso ele pretende manter bem atuante. “Antes de qualquer coisa, só poderá ser realizado evento dessa natureza com a participação do sindicato, através de um fiscal, alguém delegado para saber se há o mínimo de condições de trabalho e se tudo o que foi acordado foi cumprido. Queremos ter um delegado por região do Estado”, projeta.

A fiscalização também servirá para atuar em outra questão espinhosa: a exigência de registro profissional pela Ordem dos Músicos do Brasil. “O músico que se considera profissional não pode trabalhar sem ter o seu registro, um documento que o identifique profissionalmente. E vamos também dialogar com a ordem sobre esta questão, fazer parcerias para que os músicos que ainda não têm o registro tenham acesso mais fácil a isso e nós consigamos organizar a classe”, comenta Rubenito. Busca por direitos autorais é uma das bandeiras O músico e compositor Silvinho da Beija-Flor é carioca, mas vive em Belém há mais de 30 anos atuando como cantor da escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná. Segundo ele, com o sindicato é esperado que “acabe com essa subserviência vivida pela classe dos artistas em Belém e a formação de ‘panelinhas’ que deixam os músicos realmente bons excluídos, principalmente os de escolas de samba”.Silvinho diz que a classe acaba ficando subjugada aos promoters de festas e eventos e aos donos de casas. “É preciso conscientizar de que músico tem família para sustentar, que músico fica doente e precisa comprar remédio, que pode ficar dias sem poder trabalhar e, ainda assim, precisa viver, ter renda. Espero que o sindicato seja esse porta-voz que nós precisamos”, ressalta.

Ele reivindica também a criação de uma editora que olhe pela questão dos direitos autorais dos artistas paraenses. “Existe uma pendência de direitos autorais com a Prefeitura de Belém desde 1997. Passou a gestão de Edimilson Rodrigues, passou Duciomar Costa, agora Zenaldo, e nunca nos pagaram! Só porque é samba e faz parte do carnaval, não quer dizer que não seja um trabalho, uma composição pela qual merecemos receber nossos direitos autorais”, ressalta Silvinha.Rubenito pretende conseguir uma reunião com prefeituras e já tem agendado um encontro com o governador na segunda semana de abril.

O principal tema deste encontro será “a péssima distribuição da verba destinada à cultura”, segundo palavras dele. “As verbas acabam beneficiando a galera que vem de fora até em eventos como o aniversário das nossas cidades paraenses. Queremos saber o que esperar do governador Simão Jatene, que também é músico. Vamos ver o que ele diz, de músico para músico”.

(Diário do Pará)

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