plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 31°
cotação atual R$


home

_
_

Paraense concorre hoje ao Prêmio Shell

A relação de Paulo Faria com a cidade de São Paulo é tão intensa que às vezes ele é confundido com um nativo de lá. O paraense, que vive na capital paulistana desde 1990, é fundador da Companhia Pessoal do Faroeste, que concorre hoje na categoria Inovação

twitter Google News

A relação de Paulo Faria com a cidade de São Paulo é tão intensa que às vezes ele é confundido com um nativo de lá. O paraense, que vive na capital paulistana desde 1990, é fundador da Companhia Pessoal do Faroeste, que concorre hoje na categoria Inovação do “Prêmio Shell de Teatro”, um dos mais importante do país, disputando com o projeto “Vira-Latas de Aluguel” de Heliópolis.

Paulo já havia sido indicado ao prêmio, um dos mais importantes do segmento, mas esta é primeira vez que sua companhia está entre os concorrentes, e em uma categoria que contempla bem a filosofia do grupo, que vai bem mais além de produzir espetáculo.

O que Paulo e sua trupe fazem é mudar o centro da cidade de São Paulo, por meio da arte. Interferem na cultura, na política, na saúde e conseguem feitos como trazer o público para lotar peças e programações diversificadas em um lugar antes marginalizado.

“Acho que a indicação na categoria Inovação para uma companhia se dá muito por este nosso trabalho de crônica teatral, ou seja, inserir a questão política ao nosso trabalho. Inauguramos um novo nicho de fazer teatro em São Paulo, criamos relações afetivas com usuários de crack e prostitutas que estavam neste local. Na ‘Virada Cultural’ lutamos por um palco aqui, no meio da dita Cracolância, chamado de ‘Braços Abertos’, mesmo nome de um programa que já existe no local, onde levamos atividades para os usuários da região da Luz. Inicialmente, as pessoas queriam enxotá-los desse espaço, mas acho que eles têm direito de ir e vir e participar e, na ‘Virada Cultural’, foi uma dos únicos palcos que não teve nenhum tipo de violência. Ao longo desses anos, desenvolvemos projetos culturais junto aos usuários de drogas, levando atividades como oficinas ligadas à expressão corporal, percussão, teatro e música e pensamos até na produção de um longa ficcional com eles”, relata Paulo, para citar apenas algumas das muitas ações que sua companhia desenvolve, mostrando o poder que a arte tem de modificação urbana.

Arte engajada para mudar a realidade

Depois de serem despejados de sua antiga sede na Alameda Cleveland (segundo Paulo a companhia foi retirada da área junto com os usuários que estavam por ali durante uma ação policial), eles migraram para a Rua do Triunfo, local onde existiu “A Boca do Lixo”, polo de uma vertente marginal do cinema entre as décadas de 1960 e 1980, e a criativa mente do paraense fez das inúmeras histórias vividas neste ambiente peças teatrais aclamadas pela crítica e noticiadas pela imprensa.

É o caso de “Cine Camaleão, A Boca Do Lixo”, em 2012 (que rendeu ao grupo três indicações ao premio Shell, o de Melhor Autor para Paulo Faria, Melhor Cenário e Melhor Figurino para Paulo e Kokotch); “Homem Não Entra”, em 2013, e, por último, “Luz Negra”, que estreou no ano passado encerrando a trilogia sobre a história da região e que reafirmou a parceria entre a companhia e a atriz Mel Lisboa. O trabalho deve virar um longa metragem, que mostra a diversidade criativa da companhia.

“Acreditamos que arte e cultura são capazes de ressignificar a vida dos usuários de droga. A arte é fator de cura, de educação, é medicinal. Antes, esse era um lugar ‘infectado’, do qual todos tinham medo; agora, nosso cineclube, teatro, rodas de samba e até um bloco de carnaval com a participação da Mel Lisboa, que é parceira da companhia, atriz de nossos espetáculos e nos ajuda a dar visibilidade aos projetos, estão lotados”, comemora o diretor, que mora no bairro, bem próximo à sede companhia e respira diariamente todas essas ações, quase como um sacerdócio, como ele mesmo diz.Paulo Faria também participa da Ouvidoria do Estado de São Paulo, no intuito de revelar a região e buscar ações e políticas de melhorias para o local, sempre com a arte como foco.

“As ações políticas da companhia se tornaram maiores que o próprio teatro”, completa o diretor, que diz ter aprendido muito com o irmão, o jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto.“Acho que faço um trabalho semelhante ao dele, de inserir a política, os assuntos, a vivência da cidade na pauta de nossas atividades.

O Lúcio tem feito isso no jornalismo ao longo dos anos”, diz o diretor, adiantando que pretende fazer um espetáculo dedicado ao irmão mais velho.“Já tenho um espetáculo sobre Lúcio, um solo meu que vai mostrar um outro lado dele, mais humano, baseado em escritos que ele fez após a morte da nossa mãe. Espero estrear ainda esse ano em Belém”, anuncia o diretor.

LEIA MAIS:

Uma companhia que nasceu da polêmica

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!