Quem viu Nanna Reis, em 2010, no palco do “Festival de Música Popular Paraense da RBA” com a canção “Iluminada”, composta pelo maestro Tynnôko Costa, se encantou com a voz da morena e sabia que certamente nascia ali uma grande artista.
O que ninguém contava é que Nanna quer e pode muito mais do que interpretar lindamente belas canções, sejam elas românticas ou não. Ela pode fazer suas próprias músicas, de preferência que sejam bem dançantes, construídas a partir de suas vivências, que não foram poucas.
A cantora, que circulou nos últimos anos entre festivais, projetos autorais e uma inserção cada vez mais forte na música paraense, faz hoje, no Teatro Margarida Schivasappa, o pré-lançamento do seu primeiro EP, que carrega seu nome, sua vida e sua história.
“Sempre participei de festivais de música, tenho gravações de muitos compositores e artistas. De 2011 para cá, comecei a fazer o Projeto Charmoso e tive o primeiro contato com a música eletrônica. Passei a mostrar minha cara como compositora nesta parceria com o DJ ProEfx.
Nós chegamos a gravar um CD, mas ele nunca foi lançado. Agora é emoção de dever cumprido. O EP e o clipe que lanço esta semana são resultados de um processo de somas de experiências que foram moldando o meu processo de identidade. Cada experiência vai somando e vai fazendo com que você se desafie, aprenda e se conheça melhor e isso tudo se reflete na música”, explica a cantora, que faz o show hoje, mas lança o EP virtualmente apenas na sexta-feira.
O público presente ao teatro assistirá em primeira mão o videoclipe de estreia, feito da canção “Bom Dia”, música importante afetivamente para a cantora.
O trabalho audiovisual tem direção e roteiro de Gareth Jones e Lucas Escócio, e finalização de Duque Estrada. As referências são da cultura marajoara, heranças da cantora que nasceu na região e que queria inserir isso no trabalho de maneira peculiar.
“‘Bom Dia’ é uma música legal, light e reflexiva, especial para mim porque faz parte da minha história. Fiz ela quando, em uma só semana, vivi o nascimento do meu sobrinho e a morte de uma amiga de infância, tive que lidar com essas duas emoções em um curto espaço de tempo. Foi uma época de pensar que a vida da gente é muito pequena perto de tudo. A música fala disso, de você dar importância para os detalhes, mesmo diante da correria da vida. A mensagem é: vamos aproveitar a vida!”, explica, emocionada.
O videoclipe, segundo Nanna, tem referências de Michel Gondry, diretor que faz os clipes da Björk, artistas que a inspira. “Eu queria algo lúdico, que tivesse uma visão universal, mas com referências da cultura regional paraense. Um toque de surreal, mágico, fantástico, que é da atmosfera mística da Amazônia, mas ‘linkada’ com os contos de fadas como ‘Alice no País das Maravilhas’. Não quis nada de flor no cabelo e saia rodada de carimbó. Sou paraense e estou ligada ao mundo”, completou Nanna.
Vinda de uma família de músicos e acostumada a cantar desde pequena, Nanna teve paciência em ir moldando sua identidade reconhecendo onde queria chegar.
“Estou em um momento de maturidade, onde as coisas estão mais concretas e definidas. Eu sei qual é minha ‘vibe’, já sei por onde as coisas vão se guiar. No disco trago músicas pop, com misturas latinas, afros e batidas eletrônicas, tudo bem pista. A pista faz parte de mim. Posso cantar as coisas mais líricas, interpretativas, românticas, mas mexer com a galera, fazer o povo dançar, faz diferença para mim porque adoro isso. Existe uma Madonna dentro de mim em algum lugar. Gosto de fazer a diva”, explica a jovem cantora, que contou com Cyz Zamorano como diretora vocal do seu trabalho e assessoria de Carlos Miranda. A direção musical é de Marcel Barretto.
(Diário do Pará)
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