Para os seguidores da Ordem Rosacruz, no próximo dia 21 começa o ano de 3.368. Isso porque a entidade, uma fraternidade místico-filosófica, acredita que, ao término do inverno, início da primavera é que se inicia o novo ano, graças à renovação da vida. A tradição remonta aos egípcios antigos e é comemorada com celebrações e festas.
“Fazemos a festa no próprio dia 21 de março ou o mais próximo possível para celebrar uma tradição que comemora a passagem para as estações de vida como primavera e outono”, explica o Grande Mestre da Ordem Rosacruz de Países de Língua Portuguesa e Reitor da Universidade Rose-Croix internacional de Curitiba, Hélio de Moraes e Marques, que está em Belém exclusivamente para a festividade.
A cerimônia será realizada neste domingo e vai também instalar novos oficiais dirigentes no organismo denominado Antiga Mística Ordem Rosacruz - Amorc, que tem uma loja em Belém, em atividade há mais de 60 anos.
“Nós temos atividades templárias com rituais singelos, ricos de significados místicos e espiritualísticos. As religiões têm como referência a necessidade de um intermediário para a divindade, como pastor, padre, papa e todos os que vieram dos primeiros profetas e receberam orientações de um Deus.
Na Ordem, o desenvolvimento do ser humano vem do autoconhecimento, que é o que está no oráculo de Delfos, ‘Conhece-te a ti mesmo’, e que promove essa ligação direta do homem dentro do seu coração com deus interior. Aí acontece a mística. A comunhão é feita internamente, no silêncio do coração”, diz o Grande Mestre, que é formado em Filosofia e Administração.
A Amorc oferece gratuitamente à comunidade meditações para ensinar aos visitantes como relaxar e sintonizar suas forças curativas interiores. Eles não se consideram nem religião, nem seita, e sim uma fraternidade cultural, educacional e apolítica, destinada ao autoaperfeiçoamento do ser humano, visando o despertar de seus poderes interiores para uma vida mais plena e integral. A Ordem conserva um conjunto de técnicas milenares, mas sempre atualizadas, comprovadas pelo tempo e capazes de promover este despertar.
O Grande Mestre afirma que grandes figuras da humanidade teriam vivido esse momento de mística e encontro com seu interior, como Sócrates, que ouvia seu Daemon (nome que ele dava à sua voz interior), São Francisco de Assis (que se recolheu durante 40 dias, a quaresma) e Jesus Cristo (que ouvia a sua consciência, o seu anjo da guarda), ou seja, a busca de encontrar esse eu interior teria acontecido em várias épocas da história da humanidade.
“Todos nós somos estudantes dessa luz maior que vem de dentro e que, quando se encontra com a nossa mente racional, se funde, nos dando uma visão maior chamada de consciência cósmica”, completa.
Ele diz que esse princípio convergente de escutar o eu interior está na ciência e nas academias de universidades do mundo todo. “A Escola de Frankfurt, com Adorno e Horkheimer, dizia que era preciso diminuir a razão desfreada e escutar o eu interior”, acrescenta.
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(Diário do Pará)
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